“Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos…”.

Se há o ser e não o nada, como é certo que há, então o ser que há necessariamente sempre houve e sempre haverá, porque ele não pode ter surgido do nada nem pode ir para o nada, porque o nada absoluto é pura ausência de qualquer modo de ser, o que inclui qualquer poder e possibilidade.

Nisso temos a realidade tal como ela é: há antes o ser e não nada, há antes a atualidade e não a possibilidade, há antes o necessário e não o contingente, há antes o absoluto e não o relativo, há antes o eterno e não o temporal, há antes a verdade e não a falsidade, há antes a bondade e não a maldade. Essas realidades são posteriores no sentido de que não são por si mesmas, porque só fazem sentido com as outras. Assim, se não há verdade, não pode haver falsidade. Outro exemplo: nem tudo pode ser relativo, porque o relativo é aquilo que, para ser, depende de outro, e neste caso se tudo fosse relativo haveria uma série infinita de dependência, o que é impossível, pois jamais haveria o primeiro, ou nada existiria. Consequentemente, é necessário que haja o absoluto para haver o relativo, que haja o independente para haver os dependentes.

Como não há intercalação, sucessão, entre o ser e o nada absoluto, como se fosse possível haver agora ser e depois o nada, e assim sucessivamente, o que é absurdo, então não há ruptura no ser, e sim certa continuidade, certa perduração. Assim, o ser do Primeiro Princípio, do Ser que sempre houve, está de certo modo presente em tudo o mais, em todos os seus posteriores, é Onipresente, e de modo simultâneo é puramente Atual, Necessário, Absoluto, Eterno, Verdade e Bondade.

A Ele chamamos Deus, e como diz São Paulo Apóstolo: “Ele não está longe de cada um de nós, pois nele vivemos, nos movemos e existimos…”.

“A felicidade humana não consiste nos prazeres da carne”

“A felicidade humana não consiste nos deleites da carne”// “(…) 4.Além disso, a felicidade é um certo bem próprio do homem, pois os animais não podem ser ditos felizes, a não ser impropriamente. Ora, os deleites mencionados acima (os do alimento e os do sexo) são comuns aos homens e aos animais. Logo, neles não se pode colocar a felicidade.” (Santo Tomás de Aquino)

Os animais sentem o que podem sentir, o que o seu modo de ser lhes permite sentir. Pode experimentar dor ou prazer, medo ou irritação, enfim, sensações positivas ou negativas. Porém, os animais não podem propriamente ser dito felizes ou infelizes, porque a felicidade corresponde ao seu não-ser e, consequentemente, ao seu não-poder, dado que, em todas as coisas, para poder é necessário ser. O homem possui semelhanças e diferenças com os animais. Há nele animalidade e há nele racionalidade. Há nele corporalidade e há espiritualidade. Para ele há o sensível, como as cores que pode ver, e há o inteligível, como as verdades eternas que pode vislumbrar, há os deleites corporais e os deleites espirituais. Há prazeres, como os corporais, que são comuns aos homens e aos animais. A felicidade não pode estar nesses prazeres, porque se tivesse, os animais poderiam ser considerados felizes. Se é assim, a felicidade tem de estar naquilo que difere o homem do animal e não na semelhança, no que é comum entre eles.

A felicidade do homem está na realidade, no ser. Porém, não nas realidades inferiores a si e nas realidades inferiores de si, mas sim nas realidades superiores a si e nas realidades superiores de si, como, por exemplo, as espirituais e eternas e sua inteligência e vontade. Para a inteligência, os inteligíveis, as ideias divinas, a verdade, e para a vontade, as bondades e virtudes. Assim, para o homem: Deus, Verdade Eterna e Supremo Bem.  

Na verdadeira religião podemos falar de três certezas importantes: (I) a certeza da autoridade, (II) a certeza da razão e (III) a certeza da experiência

A verdade e a certeza são dois valores importantes da vida humana, da vida da consciência, o que inclui a religião, a filosofia e as ciências. Assim como a razão filosófica e a razão científica exigem a verdade e a certeza, porque sem elas as duas perdem o sentido, a razão religiosa exige o dogma. Enquanto exigência de verdade e certeza, de certo modo o dogma é a razão na verdadeira religião. Como todo relativismo, o relativismo religioso e o “relativismo dogmático” é um discurso sem inteligência.

Na verdadeira religião podemos falar de três certezas importantes: a certeza da autoridade, a certeza da razão e a certeza da experiência. A certeza da autoridade, ante a qual é devida a obediência da fé, diz respeito antes de tudo à verdade revelada que é acreditada “por causa da autoridade de Deus que a revela”, verdade garantida por Deus, que é a Verdade, que não se engana nem engana ninguém. Por exemplo: (I) a Sagrada Escritura, corretamente compreendida, possui certeza de autoridade, porque é palavra de Deus em linguagem humana; (II) outro caso é quando um Papa legítimo ou um Concílio legítimo declara algo como dogma ou diz o que é catolicamente correto, a exemplo do que diz o Concílio Vaticano I: “Se alguém disser que o Deus uno e verdadeiro, Criador e Senhor nosso, não pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana, por meio das coisas criadas – seja excomungado”.

A certeza da razão é aquela que antes tudo corresponde a razões necessárias, àquilo que é uma necessidade absoluta, que não poderia ser de outro modo. Assim, por exemplo, em sentido elevadíssimo Deus é necessariamente Uno. Uma razão necessária é: “Deus é sumamente perfeito, não lhe faltando perfeição alguma. Por isso, se houver vários deuses, necessariamente haverá várias coisas com essa perfeição. Ora, isto é impossível, porque, se a nenhuma delas falta perfeição alguma, e se nenhuma tem mistura de imperfeição – o que se requer para que o uma coisa seja perfeita – não haverá nada em que se distingam entre si. Logo, é impossível haver vários deuses”.

A certeza da experiência diz respeito a realidades da fé enquanto conhecidas de certo modo na experiência. Continuação: Assim, há a realidade da Providência Divina, que tudo governa com Onipotência. Essa realidade dita pela fé com o tempo pode ser confirmada em inúmeras experiências pessoais, acima de qualquer dúvida razoável, por exemplo quando algo improvável pedido em oração acontece ou quando uma verdadeira profecia se realiza.

Um exemplo das três certezas. A Santíssima Trindade. É uma certeza de autoridade, porque definida como dogma em Concílios: “Não professamos três deuses, mas um só Deus em três Pessoas: A Trindade consubstancial (Constantinopla) e “Cada uma das três pessoas é esta realidade, isto é, a substância, a essência ou a natureza divina” (IV Latrão). É uma certeza da razão, enquanto certamente não é um absurdo, um sem-sentido, embora por ser um mistério do ser de Deus que excede a capacidade natural da razão humana, não pode ser demonstrada de um modo que dispense a revelação divina. Mas pode ser entendida pela razão até certo limite, como um Sol Divino que pelo excesso de luz ofusca a visão humana, que fica num claro-escuro. Neste sentido, São Boaventura, quando fala dos atributos de Deus, diz que “podem reduzir-se a três, a saber: a eternidade, a sabedoria e a felicidade; e estas três a uma: a sabedoria, na qual se incluem a mente que gera, o Verbo gerado e o amor que une a ambos, e nos quais a fé ensina que consiste a Santíssima Trindade”.

Certeza da experiência a respeito da Santíssima Trindade é o que a Bondade Onipotente concedeu à Santa Faustina. Em seu Diário, ela relata: “Então, o meu espírito foi unido a Deus; imediatamente vi a inconcebível grandeza e santidade de Deus e, ao mesmo tempo, conheci (195) o nada que sou por mim mesma. Reconheci, mais distintamente que das outras vezes, as Três Pessoas Divinas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Mas é uma só a Sua Essência, igualdade e majestade. E, embora a minha alma conviva com os Três, e tão claramente compreenda isso, não o consigo expressar com palavras. Todo aquele que está unido com uma dessas Três Pessoas, está, por isso mesmo, unido com toda a Santíssima Trindade, visto que Sua Unidade é indivisível. Essa visão, ou antes esse conhecimento, inundou a minha alma de uma felicidade inconcebível, porque Deus é tão grande. O que acabo de descrever não vi com os olhos, como antigamente, mas de maneira puramente interior, de forma puramente espiritual e independente dos sentidos. Isso durou até o final da santa Missa” (472).

A verdadeira devoção à Maria Santíssima não afasta da verdade, mas aproxima da verdade, não afasta de Cristo, mas aproxima de Cristo

“É da natureza do amor que o amante queira o bem do amado e lhe faça o bem”. (Santo Tomás de Aquino). A verdade é bondade por si mesma e bondade para o homem, porque é a vida e a perfeição para sua alma inteligente, de seu ser consciente, consequentemente sua felicidade. A este respeito, São Maximiliano  Kolbe diz: “não existe homem no mundo que não vá em busca da felicidade; antes, em todas as nossas ações a felicidade se apresenta a nós, de uma forma ou de outra, como o objetivo ao qual tendemos por natureza. Entretanto, uma felicidade que não estiver edificada sobre a verdade não pode ser duradoura, como não o é a própria mentira. Unicamente a verdade pode ser e é o fundamento inquebrantável da felicidade, tanto para o indivíduo como para a humanidade inteira”.

Assim, que ama o próximo deseja para a ela a verdade, sobretudo as verdades mais importantes. Por isso, com relação aos hereges, São Maximiliano Kolbe diz que Maria “os ama e exatamente por este amor deseja liberta-los do erro da heresia”. A heresia é falsidade contrária à verdade da verdadeira religião, que é caminho de salvação na verdade, pois o Salvador disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Se é do interesse do império infernal a disseminação das heresias e da apostasia (o repúdio completo da fé), é do interesse da Imaculada, Senhora da luz, a destruição delas e o domínio da verdade entre homens e povos, ela que é a Mãe da Verdade Encarnada e a ama totalmente, com perfeita oposição à toda falsidade. Eis parte importantíssima da inimizade entre a Mulher e a serpente infernal, o “pai da mentira”.

Em Maria há a verdadeira religião e a verdadeira religião exercida perfeitamente. Isto exclui toda idolatria, heresia e apostasia, porque é próprio da verdadeira religião exercida perfeitamente a máxima comunhão com a Verdade, que é o valor supremo, pois é o próprio Ser de Deus. Assim, a verdadeira devoção à Maria, a Santa Mãe de Deus, não afasta da verdade, mas aproxima da verdade, não afasta de Cristo, mas aproxima de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro- homem.

“O mal é a privação daquilo que uma coisa está destinada a ter e que deve ter”

Santo Tomás ensina que “o mal é a privação daquilo que uma coisa está destinada a ter e que deve ter”.

Não há miséria que não possa ser suprimida, porque toda miséria é privação, toda privação é ausência, e toda ausência é ausência de algo. Assim, se não houvesse antes o ser, não poderia haver miséria. Como Deus é a plenitude do Ser, Misericórdia Divina é necessariamente onipotente com relação a toda miséria. Cristo disse à Santa Faustina: “Meu Coração está repleto de grande misericórdia para com as almas, e especialmente para com os pobres pecadores. Oxalá possam compreender que Eu sou para eles o melhor Pai, que por eles jorrou do Meu Coração o Sangue e a Água como de uma fonte transbordante de misericórdia. Para eles resido no Sacrário e como Rei de Misericórdia desejo conceder graças às almas (…) Oh! como é grande a indiferença das almas para com tanta bondade, para com tantas provas de amor. (…) para tudo têm tempo, apenas não têm tempo para vir buscar as Minhas graças” (367).

O mal não existe por si mesmo, porque é negação do bem, ausência do bem, oposto do bem, sem o qual não existiria. Se não há o bem, não há o mal. Pode haver o bem sem o mal, mas não o mal sem o bem. Não há mal absoluto, como há o Bem Absoluto, porque o mal absoluto seria o nada absoluto, a total ausência de ser, o que é impossível. Para o homem, o mal supremo é o inferno, ensinado por Cristo no Evangelho e confirmado como verdade de fé por sua verdadeira Igreja. Deus não predestina ninguém para o inferno, porque a Escritura diz que o Criador “não deseja a morte do pecador e sim que ele se converta e viva” (Ez 33) e “deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). O destino eterno de cada pessoa passa pelo exercício da livre vontade. Assim, Santa Faustina diz: “Deus nunca força a nossa livre vontade. De nós depende se queremos aceitar a graça de Deus, ou não, se queremos colaborar com ela, ou desperdiçá-la” (1107).

Sobre o fim possível de cada pessoa, Santa Faustina teve a seguinte visão: “…vi duas estradas: Uma estrada larga, atapetada de areia e flores, cheia de alegria e de música e de vários prazeres. As pessoas caminhavam por essa estrada dançando e divertindo-se  − estavam chegando ao fim, sem se aperceberem disso. E, no final dessa estrada, havia um enorme precipício, ou seja, o abismo do Inferno. Essas almas caíam às cegas na voragem desse abismo; à medida que iam chegando, assim tombavam. E seu número era tão grande que não era possível contá-las. E avistei uma outra estrada, ou antes uma vereda, porque era estreita e cheia de espinhos e de pedras, por onde as pessoas seguiam com lágrimas nos olhos e sofrendo dores diversas. Uns tropeçavam e caíam por cima dessas pedras, mas logo se levantavam e iam adiante. E no final da estrada havia um magnífico jardim, repleto de todos os tipos de felicidade e aí entravam todas essas almas. Já no primeiro momento, esqueciam de seus sofrimentos” (153).

As leis divinas da verdadeira religião são sabedoria de Deus, bondades do Logos

Heresia é falsidade. Como toda falsidade, é negação de alguma verdade. Se não há verdade, não pode haver heresia, assim como, se não há bondade, não pode haver maldade. Exemplo: o Arianismo é uma heresia, que nega a Divindade de Cristo. Neste caso, a verdade está na afirmação da Divindade de Cristo, o Verbo Eterno Encarnado, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e a falsidade está em sua negação. Para a religião do Verbo Encarnado, da Verdade Encarnada, a verdade possui máxima importância, consequentemente a falsidade possui máxima importância negativa, o que inclui a heresia. Neste sentido, parte importante do zelo apostólico é afirmar as verdades da fé e negar as falsidades e heresias contrárias a elas. São Paulo Apóstolo diz: “Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!”.

As verdades da fé e as heresias têm consequências para a vida religiosa, o que abarca toda a vida da pessoa, inclusive seu destino eterno, enquanto salvação ou perdição. Assim, por exemplo, quem não acredita no inferno, e assim não o evita, está mais próximo do inferno, e quando conhecê-lo como seu destino não poderá se livrar dele. Exemplo dessas consequências é o que São Paulo disse: “Ora, se se prega que Jesus ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns de vós que não há ressurreição de mortos? Se não há ressurreição de mortos, nem Cristo ressuscitou. Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé”.

O homem tem o dever de aceitar a verdadeira fé, tem o dever de conhecer a verdadeira religião de Cristo e de viver segundo seus mandamentos. A verdadeira fé é lei divina, a verdadeira religião é lei divina, os mandamentos é lei divina. As leis divinas são sabedoria de Deus, bondades do Logos. Conformar-se a elas é o caminho da justiça, na qual está a paz e a felicidade, porque é dar a Deus o que é Deus e receber de Deus o que Ele deseja nos conceder para que nossa alegria seja completa.

Por exemplo. Na verdadeira fé da verdadeira religião de Cristo, a Sagrada Eucaristia é lei divina. Quem se opõe à Sagrada Eucaristia se opõe à lei divina e, consequentemente, se opões a Deus, mesmo que não saiba. Como em Deus não há contradição, Deus jamais age contra si mesmo e suas leis. Assim, quem se opõe à Sagrada Eucaristia em nome de Deus está no engano e age como instrumento diabólico, porque é de máximo interesse do império infernal destruir o tesouro de verdadeira fé, caminho de salvação.  

A presença de Maria em Pentecostes: Medianeira de todas as graças concedidas pela Divina Misericórdia em Cristo

São Paulo ensina que “há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem que se entregou como resgate por todos”. Certamente, isto é uma verdade da verdadeira fé. Porém, sem negá-la, pode-se falar de mediadores na única mediação de Cristo. Dois casos semelhantes nos permitem entender desse modo.

Primeiro: no Evangelho Cristo diz que “só Deus é bom” e em Gênesis é dito que tudo que Deus criou é bom. Como não há contradição na Escritura, esses ensinamentos devem ser entendidos de modo que exclua a contradição. Ora, certamente só Deus é bom no sentido em que somente Ele é Bom por essência, a própria Bondade. E certamente tudo o que Deus criou é bom, porém com bondade por participação, com bondade dependente e relativa.

Segundo: o mesmo pode ser dito com relação à Divindade. Certamente só há um Deus, porém esse Deus, em sua Bondade Onipotente, concedeu à sua criatura humana participar de sua Vida Divina, e assim o homem passa a ter a divindade por participação. Assim, como ensina as Escrituras, deu aos homens nascidos de novo pelo batismo no Espírito o poder de serem chamados filhos de Deus.

O mesmo vale para mencionada mediação. Cristo é o único Mediador, o único Sacerdote e a única Vítima do Calvário, porém, por sua vontade, em si possui mediadores, sacerdotes e vítimas participantes. A participação dos mediadores, sacerdotes e vítimas não nega a mediação que é só de Cristo, do mesmo modo que as bondades que há nas criaturas não negam a Bondade que é só de Deus e a Vida Divina concedida aos homens do Reino dos Céus não nega a Divindade que é só de Deus.

A este respeito, pode ser dito em comunhão com Escritura, como verdade importante do verdadeiro cristianismo: “Todas as graças, mesmo antes de vir ao mundo, Jesus as mereceu; o Espírito Santo as distribui nas almas, e Maria é o canal pelo qual essas graças foram derramadas, e serão derramados no mundo pelos séculos dos séculos”. (Beata Conchita).

Assim, a presença de Maria em Pentecostes corresponde à Providência Divina, e significa entre outras coisas que ela, como Mãe do Salvador e em sua união mística com o Espírito Santo, é a medianeira de todas as graças concedidas pela Divina Misericórdia em Cristo.

“Fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Ti”

Na Escritura, o primeiro nome de Deus é “Aquele que é” (Ex 3, 14), o que significa que Deus é o Ser mesmo, o Ser em si, o Ser em Pessoa. Neste sentido há apenas um Ser puríssimo, em toda plenitude, e este é Deus. Assim, há apenas uma Essência Divina, Deus é necessariamente Um, a Unidade Absoluta, por toda a eternidade, totalmente imutável. 

O Bem é outro nome de Deus, e Cristo assim ensina, quando diz que somente Deus é bom (Lc 18,19). Como não há contradição na palavra de Deus, porque contradição é falsidade e a palavra de Deus é a verdade, esse ensinamento deve ser entendido no sentido de que só Deus é o Bem em si, a própria Bondade, enquanto tudo o mais é bom por participação, e assim é dito em Gênesis que, criado a semelhança de si, tudo o que Deus cria é bom. Não haveria a bondade relativa das criaturas, do ser finito, se antes não houvesse a Bondade Absoluta do Criador. Assim, Ser e Bondade são o mesmo, e tudo aquilo que tem o ser é bom e vice-versa, porque é assim em Deus e, portanto, não pode se diferente na ordem da criação.

Neste caso, o pecado traz consigo uma inversão de bens, o inferior colocado acima do superior, a bondade de alguma criatura desejada colocada acima da Bondade do Criador, o mais desejável porque é o Bem Supremo, o Fim Último, depois de qual não há bem superior e no qual a criatura espiritual encontra o verdadeiro repouso, a verdadeira quietude, a verdadeira paz, felicidade para a alma. Por isso, Sto. Agostinho diz: “Fizeste-nos, Senhor, para Ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em Ti.” E Sta. Teresa D’Ávila ensina:

“Nada te perturbe, Nada te espante,

Tudo passa, Deus não muda,

A paciência tudo alcança;

Quem a Deus tem, Nada lhe falta:

Só Deus basta.

Eleva o pensamento, Ao céu sobe,

Por nada te angusties, Nada te perturbe.

A Jesus Cristo segue, Com grande entrega,

E, venha o que vier, Nada te espante.

Vês a glória do mundo? É glória vã;

Nada tem de estável, Tudo passa.

Deseje às coisas celestes, Que sempre duram;

Fiel e rico em promessas, Deus não muda.

Ama-o como merece, Bondade Imensa;

Quem a Deus tem, Mesmo que passe por momentos difíceis;

Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta.

Só Deus basta!”.

Deus não predestina ninguém para o inferno

Deus não predestina ninguém para o inferno. Algumas razões que mostram essa verdade:

Santo Agostinho diz que o homem é criado pela Sabedoria para a Sabedoria. A Sabedoria é o próprio Deus, que é a própria Felicidade. Se Deus cria o homem para si, então ele cria o homem para a felicidade e, conforme a ideia divina original, a isso todos os homens estão destinados. O inferno significa uma certa ausência de Deus, uma privação perpétua da felicidade da felicidade que somente Deus pode dar. Assim, ou Deus cria todos os homens para a felicidade ou predestina alguns para o inferno. As duas coisas ao mesmo tempo não são possíveis, porque alguns é negação de todos. Como é certa a primeira, então a segunda só pode ser falsa.

Além disso, no sentido aqui considerado, um predestinado ao inferno necessariamente vai para o inferno, porque o necessário exclui possibilidades contrárias. Assim, para este homem não seria possível de modo algum se salvar, o que contradiz as Escrituras, que ensina: Deus “não deseja a morte do pecador e sim que ele se converta e viva” (Ez 33), “deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4).

Além disso, isto contraria a Misericórdia Divina e a Justiça Divina. No primeiro caso, porque a criação não corresponde a um dever de justiça, e assim pode ser dita obra da misericórdia, que difunde suas bondades nas criaturas, o que exclui algum homem ser criado para o inferno, que é privação de bondades. No segundo caso, se o inferno é condenação, ela é consequência do julgamento da justiça. Só pode ser julgado e sentenciado quem é culpado por alguma maldade que preferiu livremente. Sem liberdade, sem livre-arbítrio, não há culpa. Assim, aquele que foi para o inferno por predestinação, por prévia decisão divina, teria ido injustamente, porque não poderia ter exercido a liberdade de rejeitar o inferno e preferir a salvação.

Além disso, há um primado da bondade sobre a maldade. Há antes e eternamente a bondade e não a maldade, porque pode haver o bem sem o mal, mas não o mal sem o bem. Em Deus não há maldade, e tudo o que Ele faz é bom. Assim, Deus faz o homem na bondade e para a bondade, como projeto imutável, o que exclui o pecado e o inferno.

Por esta e por outras, só vai para o inferno quem merece segundo a Justiça Divina, por rejeição da Misericórdia Divina; e se mereceu é porque de certo modo preferiu, escolheu, sem ser forçado a isso. Assim, no inferno como destino há primeiro uma auto-exclusão do homem quanto ao Bem e não uma exclusão previamente decidida por Deus.

Se tudo isso é certo, então é uma falsidade importante, uma “doutrina diabólica”, na expressão de São Paulo Apóstolo (1Tm4,1).  

Carta à Igreja de Sardes: quinta era da história da Igreja, a Era da Aflição

A QUINTA IGREJA – SARDES / “ERA DA AFLIÇÃO”

As 7 eras da Igreja. O Venerável Bartolomeu Holzhauser, um sacerdote alemão do século XVII, escreveu um livro sobre o Apocalipse, no qual ensina que as 7 igrejas do Apocalipse correspondem a 7 eras históricas da história da Igreja, até o Fim do Mundo. Estaríamos na 5º era, próximos da 6º:

“A quinta época da Igreja militante, a aflitiva, vai do tempo de Leão X e Carlos V (século 16) e chega ao Papa Santo e ao Grande Monarca, que virá ao mundo para restaurar todas as coisas, e será chamado de “ajuda de Deus”. Esta época é de aflição, desolação, humilhação e pobreza da Igreja, e é apropriadamente chamada época purgativa, durante a qual Cristo Senhor examinou, e ainda examinará o seu trigo, com guerras imensas, sedições, fome e epidemias, e outras terríveis doenças; afligindo, igualmente, e empobrecendo a Igreja latina com muitas heresias e maus cristãos (…). Em suma, este quinto estado da Igreja é o da aflição, da morte, do abandono da fé, cheio de desgraças, e poucos na terra serão poupados da guerra, da fome e das epidemias. Nele lutará reino contra reino, e outros divididos em si mesmos se dissolverão. Os principados e as monarquias serão destruídos e quase todos serão empobrecidos e haverá uma desolação extrema na terra, coisas que em parte já aconteceram e ainda devem acontecer. E estes fatos serão permitidos pelo justo juízo de Deus, por causa da medida cheia de nossos pecados, porque nós e nossos pais não cumprimos o tempo da misericórdia, em que Deus esperou que nós fizéssemos penitência.

Esta época é figurada na Igreja de Sardes, que significa “início da beleza”. Pois esta quinta era é a época das tribulações e das aflições, e por isso é dita corretamente pelo texto sagrado “princípio da beleza”, ou seja, da perfeição, que virá no sexto estado. As tribulações, a pobreza e outras adversidades são o começo e a causa da conversão, e o princípio da sabedoria é o temor do Senhor. (…) Assim, no quinto estado da Igreja, a terra e os mares estão cheios de animais flutuantes e voláteis. Estes são os homens mesquinhos e carnais, que, graças à liberdade de consciência e de religião permitida… vagam e voam atrás de seus prazeres e desejos carnais.”