
É importante considerar como devem ser entendidas as Sagradas Escrituras. Algumas razões:
(1) Nem todos os sentidos atribuídos aos seus escritos podem ser verdadeiros, porque nisso estão incluídos os sentidos contraditórios, que são necessariamente excludentes, se um é verdadeiro o outro só pode ser falso.
(2) Se a Escritura contém palavras divinas em linguagem humana, há em seus escritos os sentidos queridos por Deus, o que exclui os sentidos não queridos por Ele, como os falsos, porque o que não é verdadeiro não pertence a Deus, que é a Verdade.
(3) Como é possível haver sentidos falsos, eles significam os sentidos em que não devem ser entendidas as Escrituras, para que prevaleça a verdade. Se há sentidos em que ela não deve ser entendida, há necessariamente sentidos em que ela deve ser entendida, porque o não supõe o sim, a falsidade supõe a verdade.
(4) Se a Escritura é fonte de verdades do caminho de salvação, que é o próprio Cristo, os enganos opostos a essas verdades são maléficos, o que acontece quando seus escritos não são entendidos como deveriam ser.
(5) Exemplo de tudo isto é o sentido em que deve ser entendido o que Cristo diz nesta passagem do Evangelho de São João: “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo”. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: “Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?”. Então, Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente” (Jo 6, 47-56).
Ou Cristo disse que há a Sagrada Eucaristia tal como ensina a Igreja Católica de sempre ou não disse; e se não disse, como afirmam os protestante, suas palavras e seus atos a este respeito possuem outro significado. Seja como for, há aqui algo de máxima importância: um dos lados perverteu as palavras de Cristo, perverteu o caminho do Salvador, em algo que tem valor para a salvação eterna das almas. Em algum dos lados a falsidade prevaleceu e se vive no engano.









