Criaturas do Verbo, Ideias divinas: Maria Santíssima e São José, maternidade e paternidade

Na história que antecede imediatamente o nascimento de Cristo, o Arcanjo Gabriel aparece tanto para José como para Maria. A São José ele comunicou a missão da paternidade adotiva para como o Filho encarnado de Deus e para Maria a maternidade divina para com o mesmo homem-Deus. Isto significa que, desde sempre, a paternidade e a maternidade são dons divinos, algo que Deus a suas criaturas como bens. Enquanto provenientes de Deus, a paternidade e a maternidade são ideias divinas que possuem uma essência, um logos, um modo de ser. Quando Deus concede a paternidade para um homem e a maternidade para uma mulher é para que cada um realize, dentro de suas possibilidades, a ideia divina da paternidade e da maternidade.

De certo modo, entre as criaturas, São José é personificação da paternidade, e Maria Santíssima é a personificação da maternidade.  Isto quer dizer que, para saber, ao menos parcialmente, o que é ser pai conforme a ideia divina de paternidade, São José é um exemplo, e para saber o mesmo com relação à maternidade, a Santa Mãe de Deus é o exemplo.

Do mesmo modo que um mestre poder ensinar pelas palavras e pelo exemplo, um aprendiz pode aprender pelas palavras e pelo exemplo. Deus, que é o Divino Mestre, em tudo Mestre com relação ao homem, ensina pelas palavras e pelos exemplos, presentes em toda a realidade. Tudo o que é alguma coisa, significa algo, porque é uma ideia divina, algo pensado pela Mente Divina.   

Diz o filósofo Dietrich von Hildebrand: “O que é criado…, como a pessoa espiritual em si, existe apenas para imitar e glorificar a Deus, realizando a ideia divina a ser respeito, e ao mesmo tempo levando à plenitude a totalidade dos valores aos quais está ordenado”.

E Cristo disse: “Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”.

O homens espirituais e os homens materialistas: as obras da carne no natal paganizado

Numa sociedade em grande medida pagã, o Natal, celebração essencialmente cristã, é vivido de modo pagão por parte considerável da população, porque se tornou mais uma ocasião em se vive as “obras da carne”, contrárias ao Espírito do verdadeiro Natal, como ensina São Paulo Apóstolo em sua carta aos Gálatas:

“Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis  (…). Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!”.  

Assim, esse natal manchado pelo paganismo, natal materialista, é, por exemplo, acompanhado de músicas que estimulam o pecado e celebram a impureza, de bebedeiras contrárias aos divinos conselhos, de falação maliciosa e mau uso da língua, de agitações desnecessárias, perturbadoras do espírito, e de exibições vaidosas e sensualizadas dos corpos. E nisso, na também celebração do menino-Deus e da Sagrada Família, nem as crianças escapam, pelos maus exemplos, ainda que inconscientes.      

O filósofo Dietrich von Hildebrand ao falar sobre a liturgia católica, da qual faz parte o Natal, diz: “É acima de tudo um sinal de falta de profundidade e de amplitude, quando um homem se preocupa mais com os bens que meramente proporcionam prazer, tais como comida e bebida, os confortos da vida, a propriedade como tal, do que com os bens que proporcionam felicidade espiritual, tais como um maior aprofundamento na verdade, um contato mais profundo com o mundo da beleza e da arte ou uma nobre comunhão. Quando falamos de homens materialistas em oposição aos espirituais, de homens que espalham uma atmosfera opressiva e sufocante mesmo quando são homens de boa vontade do ponto de vista moral, estamos falando exatamente daqueles cuja receptividade aos bens que proporciona, prazer é maior do que a receptividade aos bens que proporcionam felicidade”.

Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada!

Os protestantes, ao não querer superestimar Maria, ao querer evitar uma suposta idolatria dos católicos para com Maria, acabam subestimando a Santa Mãe de Deus, o que significa falsidade e por esta razão não pode ter inspiração divina, já que inegavelmente Deus “não pode enganar-se nem enganar-nos”.

Deus é o único ser que não pode ser superestimado, supervalorizado, porque Deus é a plenitude do Ser, o Ser Supremo, o Máximo Ser, acima do qual nada há, o que torna sem sentido qualquer superestimação. Por outro lado, é possível subestimar Deus, considerando-o, em seu Valor, abaixo do que Ele realmente é. Isto acontece, por exemplo, na idolatria, na qual uma criatura é superestimada ao ser colocada no lugar de Deus, que assim é subestimado ao ser colocado abaixo dela.

Maria Santíssima, por ser criatura, pode ser superestimada, como seria no caso de ser colocada acima de Deus; e pode ser subestimada, como seria no caso de não ser reconhecida em seu valor, em importância, dada pelo próprio Criador. Assim, por exemplo, Deus quis que Maria fosse sua Mãe e assim o fez; e quis, em razão de sua maternidade divina, conceder-lhe inúmeros privilégios, que possuem um aspecto de merecimento em razão de sua humildade, do exercício virtuoso de sua vontade livre, que no caso significa conformar-se totalmente, em tudo e sempre, com a Vontade Divina.

Como ensinada a Sagrada Escritura, o arcanjo São Gabriel, que “assiste diante da Face de Deus”, saúda a Maria como aquela que é “cheia de Graça”; Santa Isabel, inspirada pelo Espírito Santo, diz “Bendita és tu entre as mulheres… Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”; e a própria Maria, com a Verdade encarnada habitando em seu ser puríssimo, diz de si mesma que “desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo”.   Nos três casos, Maria não é subestimada nem superestimada, mas reconhecida em seu ser conforme o Espírito da Verdade, a Sabedoria do Criador, e por isto são exemplos dado pelo próprio de como tratar a Santa Mãe do Verbo Encarnado, do homem-Deus, o Salvador.

“Eis que, de todos os lados, se grita à humanidade: Ide, encontrareis o Vivo escondido por véus, guardado como alimento, nos Sacrários”

No salmo 70 é dito: “Vós me fizestes passar por numerosas e amargas tribulações para, de novo, me fazer viver e dos abismos da terra novamente me tirar. Aumentai minha grandeza, e de novo consolai-me”.

Deus é o Deus da vida e da felicidade. Para aqueles que trilham seus caminhos, Ele envia ou permite numerosas e amargas tribulações, para no final engrandece-los, vivificá-los e enchê-los de consolações e alegrias. Como ensina a Ressureição de Cristo, para os justos justificados pela virtude divina a palavra final, enquanto palavra divina onipotente, jamais é a morte, a tristeza e o opróbrio. Como é dito por Salomão, no livro da Sabedoria: “Contra a sabedoria o mal não prevalece”. 

Todo homem é vulnerável e impotente, e seus adversários possíveis destruidores. Sem o auxílio do Onipotente, abandonado a si mesmo, ele está destinado a perecer, a ser triturado pelos inimigos de seu ser desejante de felicidade. A Misericórdia Divina, do Deus essencialmente Amor, é o refúgio seguro, o abrigo tranquilo, o poderoso apoio.

Tudo passa por Deus, tudo depende de Deus, nada é sem Ele, nada acontece sem a permissão dele. Por isto, a salvação do homem carente e impotente está em um só nome: o verdadeiro Deus, o Cristo.

O sacerdote e místico católico Don Dolindo Ruotolo disse: “Deus não precisa do barulho, dos meios de propaganda, dos sinais de glória; Ele se revela na manjedoura, no banquete da vida, envolto nos “panos” do nosso Pão, guardado nas pequenas grutas dos Sacrários. Esta a sua manifestação de vida: a Eucaristia! Eis que, de todos os lados, se grita à humanidade: Ide, encontrareis o Vivo escondido por véus, guardado como alimento, nos Sacrários…Este grito será escutado… Notarão Sua presença, finalmente! Eis que o mundo já dissolve a sua riqueza na miséria…Aniquila sua glória na confusão… e sofre, sofre porque deve reencontrar finalmente o seu Deus!.”

Verdade e certeza: dois valores importantes da da vida da consciência, da vida humana

A verdade e a certeza são dois valores importantes da vida humana, da vida da consciência, o que inclui a religião, a filosofia e a ciência. Com relação à mente humana, o desejo de verdade e de certeza supõem suas possibilidades opostas. Assim, o desejo de certeza supõe a possibilidade da incerteza, da dúvida, e o desejo de verdade supõe a possibilidade da falsidade, do engano, da ilusão. Enquanto valores desejados, que se apresentam como desejáveis pelo que significam para a mente humana, isto supõe que a certeza é melhor que a dúvida e que a verdade é melhor que a falsidade. A este respeito Santo Agostinho, instruído pela Sabedoria divina, ensina: “A felicidade da vida é a posse da verdade, ou seja, a posse de Ti que és a Verdade”.

Quanto a qualquer realidade, quando a possibilidade de engano está excluída em razão da impossibilidade de ser de outro modo, então há aí uma certeza objetiva e uma verdade objetiva, ambas inegáveis em suas razões. A própria existência da verdade é uma certeza absoluta, é de todos os modos inegável. O filósofo medieval e beato católico Duns Scoto diz: “a verdade é desse modo, porque se afirmas que há a verdade, então tens de afirmar que tal é verdadeiro, e assim há a verdade; se negas que há a verdade, então é verdadeira a verdade de que não há. E assim alguma verdade há”. Quer dizer, é necessariamente assim, não pode ser de outro modo, portanto não há neste caso possibilidade de engano.   

Em seu “Itinerário da mente para Deus” São Boaventura ensina: “A nossa inteligência compreende realmente uma afirmação, quando sabe com certeza que ela é verdadeira. E saber isso é saber verdadeiramente, porque se tem certeza de não se enganar. Com efeito, a inteligência sabe que uma afirmação é verdadeira quando não pode ser de outra maneira e que, por conseguinte, é uma verdade imutável. Mas, com o nosso espírito está sujeito à mutação, não poderia ver a verdade de maneira imutável sem o socorro duma luz invariável – a qual não pode ser uma criatura mutável. Se ele conhece a verdade, conhece-a, pois, naquela luz que “ilumina todo homem que vem a este mundo”, a qual é “a verdadeira luz” e “o Verbo que no princípio estava em Deus”.

Deus também age por meio de seus escolhidos e pelos frutos podem ser reconhecidos como tais

No salmo 76 é dito: “Como um rebanho conduzistes vosso povo, pelas mãos de Moisés e de Aarão”. Os homens escolhidos por Deus são instrumentos de sua Sabedoria Onipotente. Tudo está submetido à Providência Divina, nada lhe escapa. Tudo é providência, inclusive os homens enquanto instrumentos. Deus quis, por meio de Moisés e Aarão, conduzir o seu povo. O mesmo vale para São João Batista, o divino mensageiro enviado como profeta precursor do Salvador, e para São Paulo Apóstolo, de quem Deus disse ser “um instrumento escolhido, que levará o meu nome diante das nações, dos reis e dos filhos de Israel”.

Deus também age por meio de seus escolhidos e pelos frutos podem ser reconhecidos como tais. Na história da Igreja agiu, por exemplo, por meio de São Domingos de Gusmão e de São Francisco de Assis, com abundantes frutos, sobretudo a conversão e salvação eterna de inúmeras almas, das quais o Criador, em seu infinito amor, tem como que sede. Deles o Papa Sisto IV disse: “são as duas trombetas das quais se serve o Senhor Deus para chamar os povos ao banquete de Seu Santo Evangelho!”.

Se eles são necessariamente instrumentos da Sabedoria Divina, então seus frutos não podem ser contrários à mesma Sabedoria. Cristo jamais está contra Cristo, porque a verdade não pode contradizer a Verdade.

O mesmo salmo diz: “Vos sois o Deus dos prodígios”. Isto vale para os escolhidos, que são homens prodigiosos antes de tudo em razão da Vontade onipotente e em razão de suas virtudes, antes de todas a humildade.

A negaçação da verdade é caminho de morte para a razão e a virtude

Sem verdade não há inteligência, não há razão, não há sabedoria, não há ciência; tudo o que de algum modo nega a verdade, opõe-se a elas.  A verdade é a vida da inteligência, da razão. Todo caminho de oposição à verdade é um caminho de morte para a razão, como é o caso do ceticismo absoluto e do relativismo.

Dizemos que a sociedade está em crise quando se multiplicam os crimes, os maus comportamentos de seus membros, como o assassinato, o estupro, a desonestidade, a mentira, as brigas, etc. Se é assim, por esta e por outras razões, para as sociedades a pessoa ideal é a pessoa virtuosa, que é aquela que vive em certo grau a bondade, que vive em certo grau conforme os valores superiores do ser. Por exemplo, parte essencial do homem virtuoso é na medida de suas possibilidades cumprir com alguma pureza de intenção os seus legítimos deveres, mesmo que penoso. Porém, sem verdade não há bondade nem virtude, que seria algo sem sentido. A pessoa virtuosa, enquanto alguém com humildade, considera antes os seus deveres do que os seus direitos, pois reconhece que por direito tudo pertence a Deus e é concedido por Deus.

Quando predomina a negação da verdade, como acontece no relativismo, cresce o egoísmo, veneno para a vida social, e multiplicam-se os males. Por ser as coisas como elas são, na vida pessoal e na vida social o que deveria ser estimado acima de tudo é a verdade, que na realidade é o próprio Deus. Por isto, o primeiro mandamento da Lei de Deus também significa amar a verdade sobre todas as coisas.  

São Paulo diz o seguinte sobre o homem nos últimos tempos: “Nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traido­res, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te! Deles fazem parte os que se insinuam jeitosamente pelas casas e enfeitiçam mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da verdade”.

Maria puríssima, a Santa Mãe do belíssimo Deus, é antes de tudo humilde: Ela só pode ser cheia de Graça porque é cheia de humildade

Maria puríssima, a Santa Mãe do belíssimo Deus, é antes de tudo humilde, entre as criaturas é modelo supremo de humildade. Ela só pode ser cheia de Graça porque é cheia de humildade. Como ensina os sábios: humildade é caminhar na verdade. Sem a verdade não há humildade, assim como sem a verdade não há verdadeiro amor, porque o mesmo Deus que se revela como o Amor diz de si mesmo que é a Verdade. A síntese da humildade de Maria está, por exemplo, em sua reposta ao Arcanjo São Gabriel: “Eis aqui a escrava do Senhor: faça-se em mim segundo a tua palavra”. A escravidão dita por Maria Santíssima significa que ela consente em viver exclusivamente da Vontade divina, em todas as coisas e sempre, como já vivia antes de se tornar em ato a Mãe do Verbo encarnado, do homem-Deus. Maria se diz toda de Deus com total liberdade e desejo santo.

No caso, a Palavra de Deus é a Vontade de Deus, e a Vontade de Deus é a Vontade da Verdade, porque Deus é a Verdade, como o mesmo Cristo diz de si mesmo. Assim, por ser toda de Deus, Maria, a Imaculada, é toda da Verdade, vive exclusivamente dela, isto é, sem contrariá-la.

Ao ser modelo supremo de humildade entre as criaturas, sem considerar Cristo, que é homem-Deus, Maria é o modelo exemplar de cumprimento dos dois maiores mandamentos: pelo seu sim, mostra que ama a Deus com caridade perfeita, e ao visitar sua prima Isabel com a intenção benevolente própria do amor, mostra que ama o seu próximo com caridade perfeita. Por esta e por outras, pode-se dizer que a Mãe, por obra do Criador, é como um espelho de Cristo, evangelho vivo como o seu divino Filho.   

Na Sagrada Escritura, São Tiago Apóstolo ensina: “Deus, porém, dá uma graça ainda mais abundante. Por isso, ele diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes”. E São Maximiliano Kolbe diz que por sua humildade Maria recebeu a Maternidade divina, fonte de todos os seus privilégios.

“Convertei-vos e crede no Evangelho”

Inegavelmente a conversão é um dos temas mais importantes do verdadeiro cristianismo, a verdadeira religião que corresponde à Sabedoria Divina. Da boca do próprio Cristo saiu as seguintes palavras:” Convertei-vos e crede no Evangelho”.

Conversão significa mudança. Enquanto tal ela supõe possibilidades, como é próprio daquilo que é mutável, e supõe haver o melhor, que significa superioridade no ser. Sem isto não faz sentido falar em conversão. As possibilidades de um ser são as possibilidades de sua essência. Como nem todas as coisas, consideradas em sua totalidade, possuem o mesmo ser, também não possuem em tudo as mesmas possibilidades. Por exemplo: por essência o homem possui uma mente finita e por esta razão não pode por si mesmo conhecer todas as coisas simultaneamente, como é o caso de Deus, Mente infinita e onipotente.

Assim, a possibilidade de conversão do homem significa as possibilidades de seu ser, de sua humanidade, especialmente de sua humanidade decaída, degradada pelo pecado original. Enquanto homem concreto, dentro de certos limites, dento de um máximo e de um mínimo, cada homem pode ser melhor ou pior do que é atualmente. Pelo menos desde Adão e Eva, isto sempre foi assim. Porém, com Cristo há um grandioso acréscimo: agora o homem, enquanto ser, pode ser melhor do que é, porque pode ser divino, pode participar em certo grau da vida divina que por natureza ele não possui.

Desse modo, o “convertei-vos e crede no Evangelho” dito por Cristo, o homem-Deus, significa uma dupla elevação em direção ao melhor, ao superior: torna-te verdadeiro homem, como eu sou, nascido de Maria, a Imaculada, e torna-te divino, como Eu sou, “nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai”. E o mesmo Cristo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai a não ser por mim”.

A Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria em relação à mediação de todas as graças

Trechos escritos por São Maximiliano Kolbe:

“Todos nós conhecemos quão íntima é a conexão que une entre si as verdades da doutrina cristã. Os dogmas católicos, de fato, brotam uns dos outros e se aperfeiçoam reciprocamente. Eis um exemplo: baseando-se unicamente sobre a doutrina católica da união hipostática da natureza divina e da natureza humana na pessoa do Verbo, os padres do Concílio de Éfeso proclamam a divina Maternidade de Maria.

Além disso, logo que foram reconhecidas as relações entre Jesus e Maria, sua Mãe, teve origem a doutrina da fé católica que afirma que a Mãe do Salvador foi preservada da culpa original. Os católicos não ousam nem ao menos supor que Maria fosse submetida à escravidão do demônio nem mesmo por um só instante. Da singular missão da Virgem Maria e da sua inefável união com o Espírito Santo (Imaculada Conceição) surgiu entre os fiéis a maravilhosa esperança de obter a doce proteção de Maria. É evidente que as nossas relações com Maria Corredentora e Dispensadora de graças, na economia da redenção, não foram compreendidas desde o princípio em toda sua perfeição. Nestes nossos tempos, com efeito, a fé na mediação da Bem-aventurada Virgem Maria cresce cada dia mais.

(…)

Também depois da morte de Cristo o Espírito Santo age em nós através de Maria. De fato, o que o Criador disse à serpente a respeito da Imaculada: “Ela te esmagará a cabeça” (Gn 3,15), segundo ensinamento dos teólogos deve ser entendido sem limitação de tempo.

É tarefa do Espírito formar até o fim do mundo os novos membros dos predestinados do corpo místico de Cristo. Mas, como São Luís Grignion de Monfort demonstra, esta obra será realizada com Maria, em Maria e através de Maria.

(…)

São Luís de Monfort usa expressões que têm um significado mais ou menos semelhante, referindo-se à Imaculada: “Nós ainda não conhecemos Maria e por isso também não conhecemos a Cristo da maneira devida. Todavia, se Cristo chegar a ser conhecido e o Seu reino se instaurar no mundo – e isso acontecerá, apesar de tudo – será efeito do conhecimento de Maria e do Seu reino sobre nós; Maria, de fato, que já uma vez deu à luz Jesus para salvação do mundo, então nos torna capazes de conhecer melhor Jesus”.

(…)

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De São Maximiliano Kolbe, 1938. Retirado do livro “Escritos de São Maximiliano Kolbe”, pág. 1858, editora PAULUS.