“Eu sou o Senhor, sem rival, não existe outro Deus além de mim”

Necessário é aquilo que não pode ser de outro modo, em oposição ao contingente, que é aquilo que poderia ser de outro modo. Que um triângulo tenha três lados é algo necessário, porque de outro modo não seria triângulo. Que um triângulo seja grande como uma girafa é algo contingente, porque poderia ser pequeno como uma formiga, sem com isto deixar de ser triângulo.  

Deus é o ser necessário, o Ser propriamente dito. O ser necessário necessariamente existe. Que há um ser necessário é inegável, em razão da impossibilidade do nada total. O nada total é impossível, porque é um vazio total de possibilidades, a pura impotência. Dele o ser não pode surgir e a ele o ser não pode ir. Assim, é sem sentido dizer que o nada total pode deixar de ser ou pode passar a ser.

A impossibilidade do nada total significa a presença de um ser necessário, que necessariamente existe eternamente, sem principio nem fim, como ser infinito, sem limites. O ser necessário, simultaneamente infinito, tudo contém e por nada é contido. Ele é o máximo do ser, a plenitude do ser, e com relação a ele só há o menos e nunca o mais. O máximo de ser significa o máximo de poder e o máximo de conhecer. O ser necessário e infinito é simultaneamente onipotente e onisciente.

No livro do profeta Isaías é dito: “Eu sou o Senhor, sem rival, não existe outro Deus além de mim. Eu te cingi, quando ainda não me conhecias, a fim de que se saiba, do levante ao poente, que nada há fora de mim. Eu sou o Senhor, sem rival; (…) Que os céus, das alturas, derramem o seu orvalho, que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e, ao mesmo tempo, faça germinar a justiça! Sou eu, o Senhor, a causa de tudo isso” (…) Verdadeiramente um Deus se esconde em tua casa, o Deus de Israel, um Deus que salva!’. Ficarão envergonhados e confusos todos aqueles que se lhe opuseram; ignominiosamente eles se retirarão os fabricantes de ídolos”.

Necessário, Infinito, Eterno, Absoluto, Onipotente, Onisciente e Onipresente: eis alguns dos nomes do verdadeiro Deus, que necessariamente só pode ser Um.  É o Deus de Jesus Cristo, a Santíssima Trindade, e seu nome santo é também Amor e Misericórdia.

Nosso refúgio está em Deus, é dele que vem o que espero

O ser, o poder e a bondade pertencem a Deus. Em seu poder onipotente pode comunicar o ser e o bem a qualquer criatura para a qual é comunicável. Assim, uma árvore, que em essência não possui a capacidade de conhecer, não pode receber o conhecimento divino, por ser absurdo. Por outro lado, Deus, em Cristo, comunica ao homem a vida divina e com ela o conhecimento divino. Tudo vem de Deus, passa pela vontade onipotente do Criador. Por isto, no salmo 61 é dito: “é dele que vem o que espero”.

Para o homem limitado, o verdadeiro refúgio não está nas criaturas, porque enquanto tais são puro nada, portanto impotentes. Um refúgio impotente é um refúgio facilmente transponível, incapaz de me proteger de um poderoso adversário, de um poderoso inimigo. Assim, como criatura, meu refúgio não pode ser eu mesmo. Como Davi diz no salmo 61: “Ó povo, confia nele de uma vez por todas; expande em vossa presença os vossos corações. Nosso refúgio está em Deus”.   

O salmo 64 diz: “Possamos nós ser saciados dos bens de vossa casa, da santidade de seu templo”. Deus é plenitude do ser, propriamente o Ser em toda sua infinita riqueza, que homem, como sua mente limitada embora apta a conhecer, pode vislumbrar de modo ínfimo. Para o homem não há nada melhor que ser saciado dos bens da casa de Deus, da santidade de seu templo. Cristo disse como promessa: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. N sabedoria dos salmos, confirmado pela Sabedoria eterna que se fez homem, Deus é aquele que sacia, que satisfaz os legítimos desejos e aspirações do homem, sobretudo o desejo natural de felicidade. Assim, Santo Agostinho diz: “Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti”.

Viver abandonado à providência divina e ser seu instrumento com generosidade

“(…) Todo homem se preocupa em obter bem-estar material, uma casa elegante, uma renda segura, confortos elegantes, e muitas vezes faz sacrifícios imensos para conseguir isso, e às vezes até compromete sua alma. Mas os bens materiais não prolongam a vida, muito menos a tornam eterna; anos, meses, dias passam e tudo deve ficar para trás. É um pensamento terrível que deveria nos tornar sábios.

Há quem acumule dinheiro, casas, objetos de arte, joias, moedas de ouro, livros raros e se apegue a essas coisas. Mas para que servem? Após a morte, eles são desperdiçadas por outros e não dão outra herança senão um túmulo! Quem está apegado a essas coisas só se preocupa em preservá-las, não tem o coração livre em Deus, não tem um caráter capaz de resistir ao mal e, tendo oportunidade, cai no abismo do pecado ou da apostasia. Às vezes tememos mais a privação dos bens materiais do que a própria morte e, diante do perigo de perder a nossa posição, permanecemos hesitantes e recorremos a todos os subterfúgios do oportunismo.

(…) Tudo é precário na vida, exceto a confiança em Deus.

Jesus Cristo, com palavras muito ternas e comparações admiráveis, exorta os seus discípulos e cristãos de todos os tempos a ter uma confiança tão plena e ilimitada em Deus que torne o seu caráter forte e inabalável em qualquer provação. A vida vale mais que a comida, e o corpo mais que a roupa; agora, Deus que deu a vida e que deu o corpo não dará comida e roupa àqueles que nele confiam? Ele mostra a sua providência até nos animais e fornece-lhes alimento, embora eles não semeiem, não colham e não tenham despensas nem celeiros. (…) Nossa verdadeira segurança está em Deus, porque nossa vida depende Dele.

(…) Se você tem um emprego, pode perdê-lo ou ficar doente; se você tiver campos, eles podem ficar estéreis; se forem casas, podem ruir ou ficar sobrecarregadas com impostos; se um ente querido cuida de você, ele pode falhar. Tudo é precário, exceto confiar em Deus, seguir a sua vontade, servi-lo e esperar da sua bondade o sustento e as necessidades da vida.

(…)

Estando desapegados de tudo, vivendo sempre provisoriamente na terra, esperando tudo de Deus e trabalhando não tanto para ganhar, mas para cumprir a sua vontade na missão que ele nos dá, aqui está o segredo maravilhoso de uma plácida superioridade de caráter e de uma paz profunda, que ninguém pode perturbar e ninguém pode sobrecarregar.

(…)

Viver não apenas abandonado à providência divina, mas ser seus instrumentos com generosidade, esmola, assistência aos outros, olhar para os bens eternos que ninguém nos pode tirar significa colocar o coração nos céus, procurar ali um tesouro eterno, e importando-se pouco com a violência ou abuso dos homens.” (Dolindo Ruotolo, sacerdote e místico católico, italiano, séc. XX)

Falsos profetas: falam em nome de Deus, mas Deus não os enviou

Há diferentes maneiras de apreender o que pertence à essência do verdadeiro profeta. Um modo é comparar todos os inegáveis exemplares de profeta na história da salvação, como Samuel e Elias, e verificar semelhanças importantes que possuem em comum. Outro modo é considerar um inegável exemplar de profeta, como São João Batista, e captar o que nele é essencialmente necessário. Outro modo é captar o verdadeiro profeta por oposição a um falso profeta. Na Sagrada Escritura há exemplares de falsos profetas ou são descritas características de falsos profetas.

No livro do profeta Ezequiel é dito: “A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: “Filho do homem, profetiza contra os profetas israelitas que pretendem profetizar, dize àqueles que profetizam de sua própria cabeça: escutai a palavra do Senhor: eis o que diz o Senhor Javé: ai dos profetas insensatos que seguem sua própria inspiração sem terem tido realmente visão alguma. Assim como chacais nos esconderijos, tais são os teus profetas, ó Israel (…) Veem só visões disparatadas, só fazem predições enganosas, eles que dizem: oráculo do Senhor, quando o Senhor não os enviou; e, todavia, esperam a realização de sua palavra. Não é verdade que não tendes senão visões ineptas e não fazeis senão predições enganadoras, quando dizeis: oráculo do Senhor, quando não falei coisa alguma? E, por isso, eis o que diz o Senhor Javé: porque proferis oráculos enganadores e tendes visões mentirosas, vou castigar-vos – oráculo do Senhor Javé. Estenderei minha mão contra esses profetas de visões ineptas e de oráculos enganadores. Não farão mais parte do conselho do meu povo, não serão inscritos no número da casa de Israel e não regressarão à terra de Israel. E saberão assim que sou eu o Senhor Javé. Porquanto abusam do meu povo, dizendo: ‘Tudo vai bem’, quando tudo vai mal. Quando o meu povo constrói um muro, ei-los a cobrirem-no de gesso. Dize pois àqueles que põem esse gesso: este muro vai cair (…)”.

O verdadeiro profeta, por sua relação com Deus, é aquele que por inspiração divina diz verdades importantes, enquanto o falso, por dizer algo de sua cabeça ou inspirado pelo espírito de falsidade, diz falsidade importante.

A dependência que o homem tem de Deus é absoluta, é total

O salmo 48 diz: “Nenhum homem a si mesmo pode salvar-se, nem pagar a Deus o seu resgate”. Para poder é necessário ser. O que é pode e o que não é não pode. O que é pode o que pode por ser o que é, e o mesmo vale pra o que não é e não pode. O homem não pode salvar si mesmo por ser o que é. Isto significa uma impotência essencial. Se ele não pode se salvar mas pode ser salvo, isto significa uma dependência essencial. Impotência e dependência significam a finitude da humanidade. A dependência que o homem tem de Deus é absoluta, é total. Sem Deus, o Absoluto, o Onipotente, todo homem é nada, é puro não-ser, pura impotência.

Se Deus é plenitude do ser, que não depende de nada para nada, Deus só pode ter criado o homem por bondade, em razão de seu amor misericordioso, generoso, e não para o seu próprio bem, como se faltasse algo em Deus.

Se considero o que pertence necessariamente à Essência Divina, a hipótese de maldade em Deus é absurda, sem sentido. Embora Deus possa, nos desígnios de sua sabedoria, permitir o mal, em certo sentido sempre relativo, jamais há qualquer maldade nas decisões divinas. Consentir em hipóteses absurdas sobre Deus e consentir em discursos sem inteligência, que obscurecem o Ser Divino. O salmo 48 diz: “Dirão meus lábios palavras de Sabedoria, e o meu coração meditará pensamentos profundos”.

O destino dos que “só vivem de delícias”, conforme o salmo 48, é um destino obscuro, porque, como não podem escapar da morte, é semelhante ao gado que se abate. A morte os esvaziará de seus bens perecíveis e ficarão eternamente na miséria da alma, privada perpetuamente, como preferiram, do “único necessário”. A infelicidade será sua morada eterna, sua perpetua habitação, se não mudarem em tempo, seguindo o conselho dado por São João Batista de “fazei penitência, porque está próximo o Reino dos céus” e o conselho dado por Cristo de “convertei-vos e crede no evangelho”.  

“Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo”

Inegavelmente, em sentido elevadíssimo só pode haver um Deus, aquele no qual tudo está presente, aquele que tudo conhece, aquele que tudo pode, absolutamente imutável, eternamente o mesmo na plenitude das perfeições. Enquanto tal, nada escapa de sua providência, nada acontece sem o sim de sua Vontade onipotente, os menores acontecimentos e as menores coisas passam por sua providência. Assim, Santo Tomás de Aquino ensina: “Ao usar a providência, Deus ordena todas as coisas por mínimas que sejam, segundo a consideração da sua eterna sabedoria, e quaisquer coisas que operam são instrumentos movidos por Deus. Submetidas que estão a Deus, servem para desenvolver a ordem ideada pela providência como que desde toda a eternidade”.

Isto exclui qualquer acaso ou fatalidade no cosmos, no universo. Isto quer dizer que todas as coisas dependem absolutamente de Deus, sem possibilidade de mudança, sempre dependentes. Por isto é chamado de Senhor, o Soberano. Assim, Cristo disse: “Até mesmo os cabelos de vossa cabeça estão todos contados”.

O que significa ter um Deus? Pelo menos em parte a liturgia da Igreja Católica responde: “Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso. Ele é a vossa palavra viva, pela qual tudo criastes. Ele é o nosso Salvador e Redentor, verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria. Ele, para cumprir a vossa vontade, e reunir um povo santo em vosso louvor, estendeu os braços na hora da sua paixão, a fim de vencer a morte e manifestar a ressurreição. Por ele, os anjos celebram vossa grandeza e os santos proclamam vossa glória. Concedei-nos também a nós associar-nos a seus louvores, dizendo a uma só voz:

Santo, Santo, Santo”.

Por que possuir o verdadeiro Deus é importante? A sabedoria da verdadeira religião responde: porque a Deus devo minha vida e somente nele tenho a vida feliz, por toda a eternidade.

“Sim, há recompensa para o justo; sim, há um Deus para julgar a terra”

Deus concede o poder ao homem para que ele seja exercido na justiça, conforme o direito, conforme as leis de sua Sabedoria Divina. Os poderosos do mundo, com a iniquidade em seus corações, trabalham pela injustiça, servem antes ao “príncipe deste mundo” perverso do que a Deus, o Senhor de infinita Bondade, sempre justo e verdadeiro. Não há poderoso que seja maior que Deus ou que possa fugir de Deus. Há um juiz soberano, com poder soberano, detentor de todo o poder, eternamente o mesmo, imutavelmente o mesmo, o indestrutível Governante do governo divino do cosmos. Assim, é dito no salmo 57: “Sim, há recompensa para o justo; sim, há um Deus para julgar a terra”.

Com o auxílio de Deus, o homem pode fazer proezas, porque caminha com o auxílio do Onipotente, Senhor de todas as coisas. A história de Davi contra Golias mostra esta importante verdade, como sabedoria da verdadeira religião. Aparentemente Golias, como guerreiro gigante, é muito mais potente que Davi, um “pequeno” pastor de ovelhas. Porém, na realidade Davi é mais potente porque conta com a mão Onipotente do Criador. Nisto se mostra uma verdade sobre as decisões divinas: entre os homens, Deus escolhe o que é “pequeno” porque nisto é manifestado o seu poder, para aquele que têm ouvidos para ouvir e olhos para ver. Ele eleva o que pequeno para que a grandeza de sua Misericórdia seja reconhecida pela criatura humana miserável, que a ela deve recorrer para sua salvação. Assim, o salmo 59 diz: “Dai-nos auxílio contra o inimigo, porque é vão qualquer socorro humano. Com o auxílio de Deus faremos proezas: Ele abaterá nossos inimigos”.

Deus é uma presença, e uma presença tremenda, temível, não porque ele seja mau, o que é impossível em sua pura Bondade, e sim porque é imensamente grandioso, de uma grandeza imensurável, inimaginável, infinita, perante a qual todo o universo é menos que uma formiga, menor que um grão de areia.  

“Uma pergunta interessante: estamos perto do fim do mundo?”

“Embora Jesus Cristo tenha dito que ninguém sabe o tempo ou a hora do fim do mundo, ainda assim, em todas as épocas, os homens têm se esforçado para investigá-lo por conjecturas e acreditam estar próximos do fim. O próprio São Gregório afirmou isso em sua época, e o fim lhe parecia iminente. Comecemos por dizer que se é presunçoso querer determinar o ano da catástrofe universal, não é contrário às palavras de Jesus investigar os sinais que a precederão, aliás é oportuno ficar mais entusiasmado para não se apegar ao mundo e zelar pela salvação do mundo. Não se pode negar que vivemos num tempo de convulsão excepcional e de impiedade singular, e isso faz pensar seriamente num fim que não está extremamente distante; poderíamos dizer que muitos estão esperando por isso. (…)

A mesma maldade incomensurável e quase irreparável dos homens faz-nos pensar que não há outro remédio senão a ruína de tudo. Os meios de corrupção, de fato, são tão numerosos que é difícil ver como podem ser eliminados sem uma catástrofe. (…) A impureza espalha-se pior do que na época do dilúvio, a mania homicida já não tem limites, a subversão dos valores mais elementares da vida já não dá esperança de um regresso aos caminhos do bem; esperamos uma catástrofe e diríamos até que esperamos uma catástrofe.

É claro que existem alguns sinais precursores do fim, mas não sabemos que outras surpresas a delinquência humana pode nos trazer, tornada mais letal pelas próprias descobertas da chamada ciência. (…) A apostasia universal e a luta feroz contra Deus, Jesus Cristo e a Igreja, uma luta que nunca teve a arrogância moderna, já nos faz pensar nos arautos do maldito reinado do anticristo. Terá que haver um período de triunfo para a Igreja, uma primeira ressurreição de tudo em Jesus Cristo, e isso pode ser visto no Apocalipse, mas este período será quase como um dia sereno para semear e colher novas flores para o céu. O terrível mal que já nos sufoca permanecerá como que acorrentado e ressurgirá ainda mais terrível no tempo do anticristo.”

Nada de preciso pode ser dito, porque os sinais que agora vemos como característicos poderiam ser seguidos por outros mais terríveis. (…) Os sinais que vemos e a incerteza que sempre nos domina devem apenas fazer-nos permanecer vigilantes e impelir-nos a viver cristãmente, ou melhor, como santos. Hoje vivemos como se estivéssemos à beira de um vulcão; tudo é precário para nós, tudo é causa de dores opressivas e de tristezas sombrias e tudo o que precisamos fazer é abandonar-nos a Deus e amá-lo acima de todas as coisas. (…) Nesta atmosfera pestilenta que certamente já é anticristianismo, devemos manter-nos firmes nas nossas posições de fé e não nos deixarmos vencer nem pelo respeito humano nem pela mais vil apostasia.

(…) Acima de tudo, devemos viver cristãmente na prática dos Sacramentos e na vida, para que a atmosfera do mundo não nos sufoque, e devemos ter a fé como um tesouro preciosíssimo. Nada nos faz vacilar, nada nos fascina, nada nos afasta de Jesus Cristo e da Igreja Católica, Apostólica, Romana. Não acreditamos em falsos profetas, e há muitos deles que afirmam pregar novas religiões, novas morais e novas ordens sociais; estes, como disse Pio XI, são vendedores ambulantes de quimeras, destinados à mais amarga decepção. Escutemos a voz da verdade que está na Igreja Católica, Apostólica, Romana, e convençamo-nos de que nunca antes nestes momentos de confusão se sente a necessidade de dar ouvidos à verdade e as mãos à Mãe!”. (por Dolindo Ruotolo, sacerdote e místico católico, italiano, século XX)

“Quem reza, salva-se; quem não reza, condena-se”

“Muitas vezes ouvi pessoas sem confiança nos caminhos do bem e da virtude que diziam: ‘Eu gostaria de ser boa, de fugir do pecado, de ser santa, mas não tenho força. Tentei tantas vezes, mas vi que sou fraca e desisti completamente’.

Deus mesmo nos levanta dessa fraqueza, permitindo-nos suplicar a Ele, pedir e atrair desse modo o seu poder sobre nós. A oração é o grande meio que supre todas as nossas deficiências morais e nos torna capazes de uma virtude que deriva da ajuda especial de Deus, de um dom divino. Daqui vem a grande palavra de Santo Afonso: ‘Quem reza, salva-se; quem não reza, condena-se’. Quando alguém não reza, reduz-se necessariamente à condição de uma criança abandonada a si mesma, que tem mãos mas não pode prover a suas necessidades; tem pernas mas não pode caminhar, porque são fracas; tem língua mas não pode falar, pois não sabe se exprimir. A nossa casa, nessas condições, é deserta e desolada; e, onde não penetra a potente mão de Deus, não reina a não ser a miséria.

Rezamos pouco e o pior é que o fazemos somente com os lábios, pois estamos persuadidos que a oração seja somente uma voz que vai além da nossa pobre terra. Não sabemos que essa é, ao invés, uma verdadeira força que atrai sobre nós a proteção de Deus.

Uma alma se encontra diante de um perigo e ora com viva fé: o perigo desaparece – por exemplo, acalmam-se as ondas do mar, dissipa-se a tempestade, etc. A oração equivale, neste caso, à força imensa que seria necessária para frear os ventos e domar uma tempestade (…)

Sentimo-nos preguiçosos no espírito, aborrecemo-nos com tudo e parece que nos sentimos desanimados do caminho do Céu; rezamos e então, rapidamente, Deus vem a nossa alma e lhe dá força. A oração equivale à força de um longo hábito e de um longo exercício. Se, de fato, a oração é a força do espírito, é claro que, vivendo sem rezar, a alma se enfraquece, debilita-se, é como que abandonada à sua capacidade, que não é senão fraqueza e miséria. Por isso Jesus nos recomendou rezar e jamais desistir; por isso Ele mesmo quis ensinar-nos a orar”. (sacerdote Dolindo Ruotolo, místico católico, italiano, do século passado)

“Venha o teu Reino Eucarístico, ó Jesus!”

Como parte de seus desígnios de salvação, no lugar da Antiga Aliança, restrita ao povo Hebreu, Deus instaurou o Povo da Nova e Eterna Aliança, o Povo do Novo Adão e da Nova Eva, sua Igreja Católica, enviada para todas as nações, aberta a todos os homens que queiram a salvação eterna, destinada a se espalhar por toda a terra até a consumação dos séculos.

Se vivemos no tempo do “julgamento das nações”, dia de justiça divina para o mundo inundado de maldade, até mesmo na casa de Deus, isto significa um mundo em ruínas, o fim de uma Era que dará lugar a outra, a Era do Triunfo do Imaculado Coração, o Reino Eucarístico. No século passado, um sacerdote e místico católico, Dolindo Ruotolo, disse sobre este reino que virá:

“Como o mundo seria diferente se, em todas as almas, reinasse a graça que reconcilia com Deus e o dom que nos torna uma só coisa com Jesus Cristo!

Quão serena a terra seria – como esperamos com firmeza que um dia será – quando, de um extremo ao outro, Jesus Cristo, fonte de paz e de amor, reinar do alto do trono eucarístico!

Que fisionomia diversa terão as nações que, não mais pacificadas por efêmeros tratados de paz, serão unidas e pacificadas como um só corpo na Comunhão eucarística!

Que caridade arderá entre todos os homens – atualmente cegos pelos egoísmo, pelo orgulho e pela violência – no dia em que se sentirem todos irmanados na mesma mesa eucarística, sem distinção de nação ou de raça; como peregrinos mortais que caminham pela mesma estrada de exílio e bebem como pombas na mesma fonte, para em seguida, um depois do outro, alçarem o vôo em direção ao monte da paz eterna, como águias atraídas pelo desejo das alturas!

Venha o teu reino eucarístico, ó Jesus! Venha e nos torne pasmos de amor, pois o teu amor ao doar-se não tem fronteiras e, ao vivificar-nos, não possui limites! Venha o teu reino eucarístico, pois somente então resplenderá no mundo a luz da glória de Deus e a luz da paz entre os homens; a felicidade de amar sobrenaturalmente e o fulgor das esperanças eternas e imortais!”