
No livro de Jó, em um dos discursos de Deus, é dito: “Quem é esse que obscurece assim a Providência com discursos sem inteligência?” Nas épocas de crise, de obscuridade para grande parte das consciências, predominam discursos sem inteligência que obscurecem realidades importantes. Em épocas que predominam perversões da ciência, perversões da filosofia e perversões da verdadeira religião, a realidade de Deus, em grau importante, é obscurecida, e assim, por exemplo, é perdida a consciência de que “nada se criou nem se pode criar sem Deus”, que Deus existe eternamente como Ser imutável e que “do ventre de sua divindade” nascem todas as almas dotadas de razão, todas as mentes inteligentes.
O profeta Isaías diz que “antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe, Deus tinha na mente o meu nome” e com gratidão ao mesmo Deus o profeta Davi, no Salmo 138, diz que “de modo admirável me formastes!”. À Santa Brígida, Cristo disse: “Tudo o que existe, existiu e existirá é previsto por mim. Nem mesmo um pequeno verme ou o menor dos grãos pode existir ou continuar a existência sem mim. Nem a menor coisa escapa da minha presciência, por que tudo vem de mim e é previsto por mim.” Isto quer dizer que para as criaturas contingentes “perdurar no ser significa receber a existência a cada instante”, por vontade amorosa do Criador. É por participação na presciência divina que os verdadeiros profetas profetizam, anunciando acontecimentos futuros. Assim, Deus concedeu a Zacarias, pai de São João Batista, um conhecimento profético sobre seu filho: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, pois irás à frente do Senhor para preparar os caminhos dele, e para dar a seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos pecados”.
São João Batista é o maior dos profetas abaixo de Cristo, que é antes de tudo o verdadeiro profeta. Assim, de certo modo todo verdadeiro profeta é subordinado ao Cristo e participante de seu Espírito profético. O precursor, com sua vida exemplar e suas palavras cheias de fogo, prepara as consciências para o Cristo, Sabedoria encarnada, e ambos, ao seu modo, mostram à mente o que ela deve escolher e o que ela deve evitar se deseja ser realmente feliz e evitar infelicidade eterna. Ela deve escolher a verdade e evitar a falsidade, deve escolher a virtude e evitar o vício, deve escolher a vontade divina cheia de bondosa sabedoria e evitar a própria vontade insensata cheia de egoísmo, deve preferir a glória eterna que perdura para sempre à gloria mundana que se desfaz totalmente na morte.
Pode-se dizer que é mensagem dos dois profetas: enquanto é tempo, convertei-vos, confessem seus pecados, fazei penitência, pois quem morre em pecado mortal não pode merecer a vida eterna, o reino dos céus, o convívio eterno com o Cordeiro de Deus, com a Trindade Santíssima.








