O verdadeiro “sereis como deuses”

O verdadeiro “sereis como deuses”, a promessa de verdadeira divinização, é o que vem de Cristo e não o que vem da serpente infernal. A serpente, movida pelo egoísmo doentio, é infernal pois vive no que é inferior, na infelicidade do inferno, e como mostra a história de Adão e Eva, que perderam o paraíso, este é o verdadeiro significado do seu “sereis como deuses”. São palavras de quem te odeia e deseja o seu mal.

Cristo disse: “Crede em mim… Na casa de meu Pai há muitas moradas”. “Quem crê em mim terá a vida eterna”. Isto é divinização. É como se Deus dissesse: “Eu sou Divino, o único e verdadeiro Deus, e vou torná-los divinos, participantes do meu Ser, da minha Essência Divina Vivente, da minha vida íntima trinitária, da minha riqueza inesgotável, da minha felicidade sem fim. Nisso não deixo de ser Deus, o que é impossível, e vocês deixam de ser apenas homens. Eu não ganho nada e vocês ganham tudo. Assim sou Eu, o Deus que é puro amor, infinita misericórdia, bondade sem fim.” Aqui são palavras de Quem te ama e deseja o seu bem eterno.

Nesta santificação, nesta participação sobrenatural na vida divina, o ser do homem é elevado, o que significa que sua inteligência, sua vontade, seu coração são divinizados. Um coração divinizado, por exemplo, é aquele que experimenta delícias divinas, a delícia de todos os santos que é Sagrado Coração de Jesus, como diz sua ladainha rezada na Santa Igreja Católica.

Diz a famosa oração de São Bento: “A Cruz Sagrada seja a minha luz, não seja o dragão o meu guia. Retira-te, satanás! Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo os teus venenos!” O caminho da Cruz Sagrada, da verdade e das virtudes, é o verdadeiro caminho de divinização, que leva aos Céus, já o caminho do dragão, da falsidade e dos vícios, é falso, e leva aos infernos.

Enquanto opostos, tais caminhos se caracterizam por suas oposições. São como duas estradas diferentes. “Todo aquele que percorre esta estrada começa com prazer e deleite, e o termina em grande miséria e vergonha. Quem toma a outra estrada começa com esforço moderado e suportável, mas chega ao fim com grande alegria e consolação”.

Quem pode duvidar? Só quem tem razão!

Como nos ensinam alguns, se considero a dúvida em sua essência, a dúvida de sempre, presente em todas as dúvidas, com a inteligência posso ver o seguinte. Primeiro, nela há sempre, ante a consciência de quem duvida, pelos menos duas possibilidades com relação a algo, possibilidades entre as quais a pessoa oscila, como num pêndulo, sem saber a qual assentir, a qual dizer o seu sim interior. Assim, ao mesmo tempo que exige a consciência a dúvida só pode acontecer em um ser com consciência limitada. Por esta razão, por não ter consciência uma pedra não pode duvidar e por ser uma Consciência onisciente, sem limites, Deus não pode duvidar – Nele não há dúvidas, apenas certezas absolutas. Segundo, na dúvida há sempre o desejo de segurança ou um correspondente receio de errar, um temor de se enganar. Terceiro, junto á oscilação e ao desejo mencionados, há no ato de duvidar a convicção de que não se deve assentir precocemente, sem razão, a uma das possibilidades que se apresenta à mente. Sem estas três coisas não há dúvida, não pode haver dúvida.

Há dúvidas que são razoáveis e há outras que são sem razão. Assim, minha dúvida pode ser prudente ou imprudente, com frutos positivos ou negativos. Por exemplo: se aceito que Deus realmente existe e que algo vem Dele, então por ser Ele o que é, Aquele que não se engana e não engana ninguém, não há razão para duvidar. Santa Brígida, mística católica, em seus escritos relata algo que a Imaculada, Maria Santíssima, disse para ela: “Sou aquela que ouviu a verdade dos lábios de Gabriel e acreditou sem duvidar. É por isso que a Verdade tomou para si carne e sangue do meu corpo e permaneceu em mim. Eu trouxe à luz a essa mesma Verdade que foi Deus e Homem. Na medida em que a Verdade, que é o Filho de Deus, desejava vir a mim, morar em mim e a nascer de mim, sei muito bem se pessoas têm verdade sobre seus lábios ou não.”

Por haver o indubitável, realidades acima de qualquer dúvida razoável, certezas absolutas, como a presença do Ser absoluto que a própria dúvida supõe, então há limites para a dúvida, que pode ser subestimada ou superestimada em seu valor para a verdadeira consciência, para a posse da verdade.

Quem pode duvidar? Só que tem razão!

O Deus de Jesus Cristo: Deus Misericordioso que concede ao homem participar de sua Divindade

Por ser Deus o que é, quer dizer, por ser Aquele que tudo contém e por nada é contido, e por ser a plenitude do Ser, então podemos dizer com razão, sem panteísmo, que Ele está em mim e eu estou Nele, na medida em que meu modo de ser, enquanto pessoa humana, significa uma participação no Ser de Deus. A onipresença divina é necessária, pois nada pode ser fora de Deus.

Com relação às criaturas Deus é necessariamente misericordioso, pois toda e qualquer criatura é por si mesma nada e contingente (poderia não existir), é por si mesma miséria, ausência. Só Deus é por si mesmo e tudo o mais recebe o ser por concessão divina. Neste caso, é da própria realidade que tudo que sou e possuo de bom pertence necessariamente a Ele. Todos os homens, justos e pecadores, vivem a todo instante da Misericórdia Divina. Toda revolta contra Deus é sem sentido, movida por falsidades do amor-próprio, pelas ilusões da soberba.

Na história da Salvação, após a queda de Adão e Eva, o amor misericordioso de Deus pelos homens, mostrado por Cristo, o Verbo Encarnado, significa em essência que Deus concede ao homem o máximo que Ele poderia doar a esta sua criatura: a própria divindade. É como se Deus dissesse: “Eu sou Divino, o único e verdadeiro Deus, e vou torná-los divinos, participantes do meu Ser, da minha Essência Divina Vivente, da minha vida íntima trinitária, da minha riqueza inesgotável, da minha felicidade sem fim. Nisso não deixo de ser Deus, o que é impossível, e vocês deixam de ser apenas homens. Eu não ganho nada e vocês ganham tudo. Assim sou Eu, o Deus que é puro amor, infinita misericórdia, bondade sem fim. E o caminho para isto na vida terrena é o meu Filho e seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica.”

Neste sentido, Cristo disse a Santa Faustina, uma mística católica: “Diz, Minha filha, que sou puro Amor e a própria Misericórdia… Tudo que existe está contido nas entranhas da Minha misericórdia, de uma forma mais profunda que a criança no ventre de sua mãe. Quanto dor Me causa a falta de confiança em Minha bondade. Os pecados que Me ferem mais dolorosamente são os de desconfiança”.

Assim, por ser Deus o que é em si, e por ser Ele o que é para mim, o Criador, Aquele que por puro amor misericordioso me deu gratuitamente o meu ser, minha existência, com todos os seus valores e possibilidades positivas, Ele não merece de mim a oposição, o atuar contra Ele, pelo menos conscientemente. Ele merece sim o contrário, que eu seja-aja em comunhão com Ele, afirmando o meu ser criado tal como fui criado, com o auxílio de sua graça-poder, sem a qual isto não é possível.

A este respeito podemos considerar o que Jesus disse em outro momento A Santa Faustina: “Minha filha, medita sobre a vida divina que está contida na Igreja, para a salvação e a santificação da tua alma. Reflete sobre como está aproveitando estes tesouros de graças, estes esforços do Meu amor”

Tesouros da graça são, por exemplo, o Cristo que permanece presente nas verdadeiras Palavras Divinas, que são “espírito e vida”, e em seu Corpo Místico, a Santa Igreja Católica, com a Confissão Sacramental – Tribunal da Misericórdia – com a Santa Eucaristia, o “Pão da vida”, o “verdadeiro Pão descido do céu”, o Pão da “vida eterna”, com o santo batismo, entre outros.

A Imaculada esposa do Espírito da Verdade contra o espírito da falsidade

Deus é o Senhor de todas as coisas, tudo que existe pertence a Ele e nada se realiza sem passar por sua vontade. Nada pode se opor eficazmente a Ele, não há ser que possa derrotá-lo: Ele é o imbatível Senhor dos exércitos e todos que combatem fielmente com Ele são vitoriosos.  Neste sentido, Deus é sem inimigos, sem adversários. Porém, em outro sentido pode-se falar de “inimigos de Deus”. Inimigos de Deus são todos os demônios enquanto soberbos “anjos caídos” e podem ser estes ou aqueles homens em sua soberba.

A história do homem em parte importante é a história da luta da falsidade contra a verdade, do vício contra a virtude. Com relação à criatura humana, o antagonista da serpente diabólica, do “pai da mentira”, é o Espírito Santo, o Espírito da Verdade e das virtudes, que de diversos modos exerce este seu antagonismo, por exemplo por meio de homens que são instrumentos de sua ação onipotente, como os verdadeiros profetas, os verdadeiros sábios. Como Esposa do Espírito Santo, como templo privilegiado de sua Divina presença, Maria, a Imaculada, é também a antagonista do espírito imundo, ela que cheia de virtudes se opõe à soberba da serpente enganadora, que assim é pisada, humilhada, pela Santíssima Virgem, aquela que em sua grandiosa humildade, do começo ao fim, nunca quis nada a não ser o que o Divino Criador quis.

Instrumentos da serpente são, por exemplo, os falsos mestres que, cheios de si e vazios do Espírito da Verdade, vomitam falsidades importantes, dizem palavras soberbas de modo eloquente, e assim contribuem para disseminar enganos que enganam, perversões que pervertem. Nisto ampliam as trevas, a obscuridade das mentes, o império infernal, o reino da falsidade entre os homens.  

No combate espiritual de todos os tempos e no de nosso tempo, um lado é o lado da verdade e das virtudes, do Espírito Santo e da Imaculada, outro lado é o lado da falsidade e dos vícios. O vencedor, que tem a vitória que realmente vale, a vitória eterna, já se sabe e todos verão.

Disse a Misericórdia Divina:“Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, irá ensinar-vos todas as coisas…”.

O tempo no Verbo Eterno e o Verbo Eterno no tempo

Reflita sobre a vida de martírio de São João Evangelista

Parte importante da sabedoria é o reconhecimento das verdades eternas, que em um de seus sentidos significa aquilo que “vale e permanece sempre”.  Na totalidade do ser, as realidades materiais e temporais são apenas uma parte. Há algo antes, depois e acima delas, e no qual elas estão. Exemplo: as verdades eternas sobre a ausência e a presença.  

Antes, por duas razões podemos reconhecer como inegável, como uma certeza absoluta, que há a presença e a ausência. (1) É algo que a experiência mostra. (2) Ao negá-las elas são confirmadas: na negação da presença há o ato de negar e há aquele que nega, portanto duas presenças, e negar a ausência, dizer não há, é afirmar uma ausência.

Presença é sempre presença de algo e ausência é sempre ausência de algo. Toda presença é assim e toda ausência é assim. Isto é inegável, pois do contrário seria presença de nada, portanto presença nenhuma, e seria uma ausência de nada, portanto ausência nenhuma. Assim, negar isto é negar uma característica essencialmente necessária tanto da presença como da ausência, é torna-las se sentido.  Se é assim, e certamente é, isto significa que a presença e a ausência exigem o ser. Por ser o que são em sua essência, em seu logos, sem o ser elas não seriam nem poderiam ser, quer dizer, só se poderia dizer delas o puro nada.

Se tudo isto é verdade, e inegavelmente é, então temos de reconhecer outra verdade importante sobre a presença e a ausência, que é a seguinte: a presença tem prioridade sobre a ausência, ela é necessariamente anterior a ausência, pois como já se viu, a ausência, enquanto necessariamente ausência de algo, exige a presença do ser. Neste sentido, isto significa o primado do ser, o fato de haver antes o ser e não o nada. E se há alguma coisa, então o nada total, o nado absoluto, é necessariamente impossível, e assim o ser não veio do nada e não irá para o nada: é eternamente ser, sempre ser, sem começo nem fim, não contido pelo tempo mas no qual o tempo está contido. Como é ensinado no Evangelho: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus… E o Verbo se fez carne e habitou entre nós”.

Assim, se há verdades eternas, realidades imateriais não limitadas ao tempo, e se o homem é ao seu modo capaz de apreendê-las, de vislumbrá-las, então isto tem importância para a vida e para a morte, pois significa dentre outras coisas que minha consciência não o meu cérebro e que não sou pura matéria.    

O Deus de Jesus Cristo: Trindade, Misericórdia e Justiça

O Deus verdadeiro é o “Deus total”. Em Cristo Ele é revelado como Santíssima Trindade, que é Misericórdia e Justiça. A este respeito diz Santa Faustina em seu Diário: “(…) O Senhor concedeu-me também o conhecimento do segundo atributo — o da Sua justiça. E esta é tão imensa e penetrante que atinge o fundo do ser e tudo diante d’Ele é manifesto em toda a nudez da verdade, e nada Lhe pode resistir. O terceiro atributo é o Amor e a Misericórdia. E compreendi que o Amor e a Misericórdia é o maior atributo. É ele que une a criatura ao Criador. E reconhece-se este imenso amor e o abismo da misericórdia na Encarnação do Verbo, na Sua Redenção; e foi aqui que reconheci que este é o maior atributo em Deus”

A Misericórdia divina não significa que Deus aceita qualquer coisa, o incluiria aprovar a maldade. E quando a sua Misericórdia é rejeitada, parte de sua Justiça é descrita em algumas mensagens:

1. “Diz aos pecadores que ninguém escapará ao Meu braço. Se fogem do Meu misericordioso Coração, hão-de cair nas mãos da Minha justiça. Diz aos pecadores que sempre espero por eles, presto atenção ao pulsar dos corações deles, para ver quando batem por Mim. Escreve que falo a eles pelos remorsos da consciência, pelos fracassos e sofrimentos, pelas tempestades e raios; falo pela voz da Igreja e, se menosprezarem todas as Minhas graças, começarei a Me zangar com eles, deixando-os a si mesmos, e dou-lhes o que desejam” (Diário).

2. “Que soberbos são para comigo! Graças aos rogos de minha Mãe e de todos os santos, permaneço misericordioso e tão paciente que estou desejando enviar-lhes palavras da minha boca e oferecer-lhes misericórdia. Se a quiserem aceitar, terei compaixão. Do contrário, conhecerão minha justiça e, como ladrões, serão publicamente envergonhados diante dos anjos e dos homens…” (mensagens de Jesus à Santa Brígida)

3.  “… Como eu lhe disse, se os homens não se arrependerem e melhorarem, o Pai irá infligir uma terrível punição a toda a humanidade. Será uma punição maior do que o dilúvio, tal como nunca se viu antes. Fogo irá cair do céu e vai eliminar uma grande parte da humanidade;

As únicas armas que irão restar para vocês serão o Rosário e o Sinal deixado pelo Meu Filho. Recitem todos os dias as orações do Rosário’

(…) O pensamento da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os pecados aumentarem em número e gravidade, não haverá mais perdão para eles…’” (Nossa Senhora em Akita, Japão, 1973)

“Honra e Glória vos sejam dadas, o Santíssima Trindade, Deus eterno. Que a Misericórdia que jorra das vossas entranhas nos defenda de vossa justa ira!” (Diário)

Verdades eternas e falsa inteligência das máquinas

Parte importante de nosso tempo são as “máquinas inteligentes”. Há até aqueles que têm como ideal um “homem-máquina”. No caso o nome inteligência é inapropriado, enganoso, uma confusão, pois é um engano falar de “inteligência artificial” no mesmo sentido em que se fala de inteligência humana. As duas não são a mesma coisa e não se equivalem. Aqui, o que é humano é superior, maior que o universo material. Se por um lado o homem não deve ser superestimado, por outro lado não deve ser subestimado: as duas são falsidades.

Em suas considerações sobre a razão diz o Papa Bento XVI que a “razão humana traz inscrita em si a exigência daquilo que vale e permanece sempre”. Dentre outras coisas, isto significa que o homem é capaz de alcançar verdades eternas proporcionadas à sua mente, distinta por exemplo da mente angélica. As verdades eternas, que não são ilusões, não estão limitadas ao tempo-espaço, estão além do tempo. A pessoa humana, como existente, começou a ser no tempo, mas sua essência, como um ser composto de corpo e alma espiritual, está acima do tempo. Neste sentido, a humanidade é uma verdade eterna, um logos eterno, assim como a triangularidade dos triângulos ou a angelicalidade dos anjos.

Com sua inteligência concedida pela Inteligência Divina o homem é ao seu modo capaz de captar o eterno no temporal, o absoluto no relativo e o necessário no contingente. O tempo está contido na eternidade, o relativo no absoluto e o contingente no necessário, e tudo isto está contido na Mente Divina onipresente e eterna, que tudo contém e por nada é contido. Assim, como sua inteligência está aberta a totalidade do ser, como é uma capacidade que abarca toda a realidade, mesmo que como atualidade nosso conhecimento dela seja parcial, o homem é naturalmente e sobrenaturalmente capaz de Deus, cujo amor, cuja misericórdia, como diz o Salmo 136, dura para sempre, é eterno.

Nada disto pode ser dito das máquinas, dos robôs, da tal “inteligência artificial”.

Santa Eucaristia, milagres eucarísticos e verdadeira religião

O Divino Mestre disse: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído. Toda casa dividida contra si mesma não pode subsistir… Quem não está comigo está contra mim; e quem não ajunta comigo, espalha.” Uma versão importantes do “contra si mesmo” é a contradição. Exemplo de contradição evidente é o “quadrado-redondo”. Por essência, ou se é quadrado ou se é círculo, e não é possível haver uma figura que seja os dois ao mesmo tempo no mesmo aspecto (quanto aos ângulos, por exemplo). Neste sentido, se digo quadrado não digo círculo, e se digo círculo não digo quadrado, de modo que se digo quadrado-redondo não digo nada. Por esta e por outras, um reino dividido contra si tende ao nada. O oposto do nada é o ser. A contradição é não ao ser e, consequentemente, é não à verdade. Por esta razão um dos critérios de falsidade é a “contradição”.

Isto é importante para a vida como um todo, o que inclui a religião, pois significa que nem todas as “religiões” podem ser verdadeiras, pelas contradições que entre elas há, e significa no caso do cristianismo que nem todas as “denominações” podem ser verdadeiras, desejadas pelo Deus Uno e Trino. O Cristo mostrado nos Evangelhos é o Cristo que se importa com a verdade, e é Ele mesmo um “sinal de contradição” para muitos em suas falsidades. Parte importante de seu vivo ensinamento é: permaneçam na verdade, permaneçam em mim.

A integridade da fé é importante, do mesmo modo que a verdade para Cristo, a Verdade Vivente, é importante. O protestantismo, como mostra a experiência, é negativo nesses dois aspectos, em razão da multiplicação ilegítima de “denominações” ditas cristãs que ele trouxe, com as contradições e fragmentações aí contidas. A multiplicidade das “denominações cristãs” é ilegítima pois é a multiplicidade de um reino dividido contra si mesmo.

No caso do cristianismo um dos critérios de máxima importância é a Eucaristia. Cristo não pode estar contra Cristo. Ou Ele disse que há Eucaristia tal como a Igreja Católica ensina, ou não disse. Ou Ele está realmente e totalmente presente na Eucaristia ou não está, o que significa que alguém está em engano importante ou em verdade importante, ou seja, com Cristo ou contra Cristo.

Os verdadeiros milagres acontecem por alguma razão na Mente divina. Uma das razões, como mostra as Sagradas Escrituras, é fazer crer ou confirmar aquilo em que se crê, as realidades da fé.

Se é assim, isto vale para os chamados “milagres eucarísticos”, que dizem respeito à Santa Eucaristia, oficialmente reconhecidos como autênticos por autoridades eclesiásticas. Como casos nos quais, por exemplo, do pão consagrado sai sangue, após investigação neles se confirma o que catolicamente se crê, aquilo que Cristo disse: “Este é o meu corpo, este é o meu sangue”. O mesmo Cristo disse tempos atrás à Santa Faustina. Eis o relato: “No lugar do ostensório vi a face adorável do Senhor, que me disse: O que tu estás vendo na realidade estas alma veem pela fé. Oh! Como Me é agradável a grande fé delas. Repara que, embora na aparência não haja em Mim vestígio de vida, na realidade ela está contida em cada uma das Hóstias e em toda a plenitude. No entanto, para Eu poder agir na alma, ela deve ter fé”

Porém, o mesmo Cristo disse a um monge: “Mas o maligno tramou e planejou para cobrir o mistério da minha presença com um negro véu de negligência, de irreverência, de esquecimento e descrença. Ele obscureceu o mistério da minha presença real, e meus fiéis, em primeiro lugar meus sacerdotes, se afastaram de mim, um após o outro, assim como fizeram na primeira vez que me revelei como o Pão vivo que veio dos Céus para dar vida ao mundo.”

Em outro momento disse à Santa Faustina: “Quando venho pela Santa Comunhão ao coração do homem, tenho as mãos cheias de toda espécie de graças e desejo entregá-las às almas, mas elas nem Me dão atenção; deixam-Me sozinho, e se ocupam com outras coisas.” Assim, se há a frutuosa recepção da Eucaristia, há também a má, que se deve evitar. Comenta um santo sobre a comunhão sacrílega “que aquele que comunga em pecado mortal comete um delito… mais horrendo que o de Judas, diz São João Crisóstomo.”

Por esta e por outras, ensina a Santa Igreja Católica que a recepção do Corpo de Cristo exige o “estado de graça”, o estado de mínima amizade com Deus, conseguido pela aniquilação dos pecados graves no arrependimento pessoal e na confissão sacramental. Assim, o caminho é: boa comunhão acompanhade de boa e frequente confissão.

O Espírito da Verdade e a verdadeira religião

A confusão é um dos nomes da falsidade, do engano. Quanto mais importante algo é, mais importante negativamente são as confusões a seu respeito. Por exemplo, sobre hereges e heresias. Há quem diz que Jesus é aquele que se opôs à religião de seu tempo e foi acusado de herege. Assim, aqueles que se opõem à religião de seu tempo e são acusados de hereges são semelhantes a Cristo, os heróis da história. Neste caso, a confusão é a seguinte: uma coisa é ser injustamente qualificado de herege e de heresia, outra é aceitar hereges e heresias enquanto tais. O ponto importante aqui é a injustiça e a presunção – não saber que não sabe e comportar-se como se soubesse.

Se considero que heresia é falsidade, então uma verdadeira heresia é algo negativo e o herege, enquanto aquele que ensina falsidades como se fossem verdades, é uma figura negativa para a verdadeira religião. Cristo se opôs várias vezes a figuras religiosas por sua falsidade, por seus enganos, por suas mentiras, e chegou mesmo a dizer que estes tinham como pai o “pai da mentira”, a serpente enganadora que levou Adão e Eva para o caminho da ruína.

Nos evangelhos o divino Jesus diz que o Espírito Santo é o Espírito da verdade. Na Ladainha que a Igreja lhe dedica é dito como “inspiração dos profetas” e “palavra e sabedoria dos apóstolos”. Diz Santa Faustina em seu Diário que “quando uma alma está com Cristo, Ele não permite que ela erre”, sobretudo em algo importante, poderíamos acrescentar. E o Espírito da Verdade diz por meio do profeta Isaías: “Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!”

Se consideramos Lutero e os pais do protestantismo pelas suas oposições a partes importantes da Igreja Católica – a verdades catolicamente importantes sobre a Santa Eucaristia, sobre a figura do Papa, sobre o Magistério eclesiástico, sobre a confissão sacramental, etc., etc., etc., então nesta oposição inegavelmente alguém não foi instruído pelo Espírito Santo, está dizendo que é mal o bem e há “cegos que guiam cegos”.

Opor-se virtuosamente à falsidade conhecida em nome da verdade conhecida é algo que agrada a Deus, no qual não há trevas alguma, nenhuma falsidade. Porém, agir em nome de algum importante valor não significa necessariamente agir virtuosamente. A verdade exige a virtude, quer dizer, não se deve combater em favor da verdade de um modo que ela seja negada, pois a virtude é afirmação da verdade e, consequentemente, o que se opõe à virtude se opõe à verdade.

Por exemplo: Saulo, em nome da verdade da “lei de Israel”, combateu os cristãos, que para ele eram disseminadores de falsidades. No caso, Saulo combatia pela verdade imprudentemente, sem a devida prudência, pois não sabia realmente o que era verdade e o que era falsidade, estava cego e só deixou a cegueira depois que encontrou o Cristo, a Verdade Eterna encarnada. Saulo se tornou Paulo e agora realmente inspirado pelo Espírito da Verdade não deixou de se opor a falsos mestres e a falsidades de seu tempo de apóstolo.  

Ressureição: Cristo está vivo e continua a agir na história

Diz São Paulo que se Cristo não ressuscitou vã é a fé cristã e que “se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima.” Como diz o filósofo católico Dietrich von Hildebrand, a fé pode ser vista de dois modos: a “fé em” e a “fé que”. A “fé em” significa a fé em uma pessoa viva, assim é a fé enquanto confiança, que na vida cristã é a confiança no Deus vivo e verdadeiro, Onipotente, Consciência que tudo sabe, cheio de Bondade, num abandono de si mesmo ao Cristo. A “fé que” é a aceitação de que algum conteúdo que alguém nos comunicou é verdadeiro, é realmente assim. Quem “em sentido próprio crê, aceita um conteúdo como verdadeiro, como real, pelo testemunho de alguém; assim, a razão de que eu creia em algo é que creia em alguém” (Josef Pieper). A “fé que” aparece em nossa resposta “a todas as realidades reveladas por Cristo. Temos fé que existe uma vida eterna, que nosso corpo há de ressuscitar, que nossa eterna salvação depende de seguirmos a Cristo. E temos fé que assim é porque assim a nós revelou Cristo”(DvH).

Portanto a “fé que” é a fé enquanto conhecimento, é saber de determinada maneira algo da realidade, do ser. Quanto a isto diz Santa Edith Stein, santa e filósofa, que “nosso espírito se encontra agora em peregrinação por esta via, e em algum momento chegará à meta, a pátria celestial. (…) Não só o que sabemos agora, mas também o que cremos agora, conheceremos de outra maneira quando chegarmos à meta.”

Nesta páscoa, como em todas, a Santa Igreja de Cristo convida a viver a vida com a virtude da fé, que em parte é ato meu e em parte é dom de Deus, com o qual colaboro pela minha liberdade, pela minha entrega. Que Cristo ressuscitou é algo testemunhado por vários de seus discípulos que assim o viram, num corpo vivo e glorioso, experiência transmitida pelas gerações seguintes de cristãos, em sua Igreja Apostólica e Católica. Os milagres eucarísticos, os santos falecidos de corpos incorruptos, as aparições de Nossa Senhora, as chagas e os milagres de um Padre Pio, entre tantos fatos em mais de 2 mil anos de Igreja, dizem também que Cristo ressurgiu, que ele vive, que é realmente o Cristo da consciência católica. 

Sagrado Coração Jesus, fonte de vida e santidade, tende piedade de nós!

Santa Maria, mãe do Salvador, rainha dos céus, rogai por nós!