“É melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no inferno”

Pertence aos conselhos da sabedoria dizer o bem para que se obtenha bens, e assim é dito “faça isto para obteres aquilo”, e dizer o que é mal para que se evite certos males, e assim é dito “não faça isto para não experimentares aquilo”. O bem é fonte de bens e o mal é fonte de males, e o homem deve fazer o bem e evitar o mal.

O homem deve buscar o melhor dos bens, que é o céu eterno, e deve evitar o pior dos males, que é o inferno sem sim, e por isso deve buscar os meios para o céu e evitar aquilo que conduz ao inferno, o pecado mortal, a maldade moral culposa grave. Assim, quanto ao primeiro caso, Cristo ensina: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33); e quanto ao segundo caso Ele ensina: “Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena” (Mt 18,9).

A Luz do mundo

“A verdade está para a inteligência assim como a luz está para olhos”. (Pe. Leonel Franca)

A verdade é a vida da inteligência, assim como a luz é a vida dos olhos. Sem luz, na total escuridão, os olhos seriam inúteis, assim como sem a verdade das coisas a inteligência seria sem sentido.

Em seu modo de ser, parte da grandeza do homem está em sua Inteligência capaz de verdade, capaz de possuir cognoscitivamente a realidade objetiva. Negar a verdade é negar a inteligência, o que, por sua vez, é diminuir o homem. Neste sentido, os inimigos da verdade são inimigos da inteligência e, consequentemente, são inimigos do homem, enquanto negam e atacam o que para ele é um bem superior fontes de inúmeros bens.

Como diz Santo Tomás, em concordância com Aristóteles, a verdade é o bem da inteligência (ou intelecto). Em suas palavras: “Assim como o verdadeiro é o bem do intelecto, o falso é o seu mal, segundo o Filósofo, pois naturalmente desejamos conhecer o verdadeiro, e fugimos de ser enganados pelo falso. Ora, em Deus não pode haver mal algum, como acima se provou. Logo, em Deus não pode haver falsidade” (Suma Contra os Gentios). De certo modo, a verdade é a luz da mente, e neste sentido quem ensina a verdade ilumina a inteligência. Por isso, como Aquele que é cheio de verdade (Jo 1,14) e que veio ao mundo para dar testemunho da verdade (Jo 18,37), Cristo diz ser a luz do mundo (Jo 8,12).    

“Ser pessoa é necessariamente ser espírito”

A realidade objetiva é muito mais do que a matéria, muito mais do que a realidade sensível que o homem pode captar com os sentidos. Ela é antes de tudo a realidade de Deus, o Ser Infinito, puramente espiritual, que tudo contém e por nada é contido.

A respeito da realidade espiritual humana, o filósofo Josef Seifert diz:

“Ser pessoa é necessariamente ser espírito, um ser “eu” que se diferencia radicalmente, por sua natureza simples e incomunicável por excelência, de toda matéria, a qual é matemática e infinitamente divisível, e fisicamente divisível em incontáveis partes e que, além disso, está formada essencialmente por partes não idênticas.

Ser pessoa é também ser consciente, desperto, dotado de razão ou, ao menos, capaz em princípio de usar a razão, ainda que isso possa ser impedido pelo sono ou por outras circunstâncias. Contudo, para poder ser sujeito de uma vida consciente e espiritual, relacionada intencionalmente com os objetos da consciência, é necessário ser uma substância espiritual, não extensa no espaço e não composta de partes não idênticas existentes no espaço umas ao lado das outras, como é o caso da matéria. Por isso, a pessoa é essencialmente espírito e o homem, enquanto pessoa, é antes de tudo alma, ainda que o corpo pertença à totalidade do ser pessoa”.

E Cristo disse aos seus discípulos “Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim”. (João 15,26)

Compete a Deus ser o princípio do ser das coisas

Uma verdade absoluta é que nada pode causar a si mesmo, o que equivale a dizer que nada pode ser efeito de si mesmo, por uma razão simples: para causar a si mesmo teria de existir antes de existir, o que é impossível, segundo o inegável princípio de não contradição, uma lei do ser e da razão humana.

Santo Tomás, em considerações da pura razão, ensina que compete a Deus ser o princípio do ser das coisas. Entre as razões apresentadas por ele, duas são: “2. Verificou-se acima, pela demonstração de Aristóteles, que existe uma primeira causa eficiente, que chamamos de Deus. Ora, a causa eficiente conduz os seus efeitos ao ser. Logo, Deus existe como causa do ser das coisas. (…) 5. Além disso, quanto mais perfeito for o princípio de ação de uma coisa, tanto mais poderá ela estender a sua ação a muitas coisas distantes. O fogo, por exemplo, se for fraco, aquece só o que está perto dele; sendo mais forte, aquecerá também o que está distante. Ora, o ato puro, que é Deus, é mais perfeito que o ato com mistura de potência, como é o nosso. O ato, com efeito, é o princípio da ação. Ora, pelo ato que possuímos, temos poder não só sobre as ações que permanecem em nós, como são a intelecção e a volição, mas também sobre as ações que tendem para o exterior, pelas quais produzimos alguns efeitos. Portanto, a Deus, que está em ato, compete muito mais não só ter intelecção e volição, como também produzir algum efeito. E assim Deus pode ser a causa do ser das coisas”.

E no livro de Jó é dito: “Que faz coisas grandes, admiráveis, insondáveis e inumeráveis” (5, 9).

“Por falta de direção cai um povo”

Em Provérbios está escrito: “Por que odiei a disciplina e meu coração desdenhou a correção? Por que não ouvi a voz de meus mestres, nem dei ouvidos aos meus educadores” (5,12-13).

Como conselho, o provérbio ensina que o homem não deve odiar a disciplina nem desprezar a correção de sábios mestres ou de bom educadores, porque isto é privar-se de bens relevantes e preferir a miséria, ou seja, é agir contra a razão. A disciplina está para a obediência à regra, que é para o bem, enquanto a correção está para a melhora, que é para um bem maior, menos misturado com o mal.

O verdadeiro mestre está para a verdade e o falso mestre está para a falsidade, assim como a verdade está para a luz da mente e a falsidade está para as trevas da mente. Assim, ninguém é verdadeiro educador nem verdadeiro mestre, com correta direção e autêntica promoção alheia, contra a verdade, que é o bem da inteligência.

Deus, que é a própria Sabedoria e a puríssima Bondade, educa os homens para dar-lhes direção em seus possíveis caminhos e promovê-los em perfeição. A divina educação, com sua pedagogia, é para o bem e o melhor contra o mal e o pior possíveis à pessoa humana. Como é próprio de sua Providência onipresente, Deus dirige o homem enquanto homem, conforme seu modo próprio de ser, portanto em consideração de seu livre-arbítrio, dentre outras coisas.  

A educação recebida e a não recebida é um fator decisivo na vida humana, para o bem ou para o mal. E também o é para a vida social. A este respeito é dito na Sagrada Escritura: “Por falta de direção cai um povo; onde há muitos conselheiros, ali haverá salvação” (Pr 11,14) e “Os lábios dos justos nutrem a muitos; mas os néscios perecem por falta de inteligência” (Pr 10,21).

“Ira e indignação aos que são pertinazes, indóceis à verdade, mas dóceis à injustiça”

Santo Agostinho diz que um dos principais obstáculos para o conhecimento da verdade é a corrupção dos costumes, que é outro nome para a maldade moral, para uma vida vivida habitualmente com atos contrários a valores moralmente relevantes, como a justiça, que exigem do homem uma resposta adequada, o dever moral.

A corrupção está para o negativo e imperfeito e os costumes estão para os atos do homem, moralmente avaliáveis segundo a ordem moral objetiva que há no ser, fundamentada no Valor Absoluto, Deus mesmo.

O estado de corrupção moral é um obstáculo para o conhecimento das verdades superiores que a mente humana pode alcançar. Isto quer dizer que há um vínculo entre o conhecimento da verdade inteligível (ou sabedoria em certo sentido) e as virtudes que predispõem o homem a ela.

Como diz o filósofo espanhol Millán-Puelles, entre tais virtudes, que predispõem ao interesse pela verdade, a primeira é a humildade, cujo contrário é a soberba, entendida em sua realidade objetiva como certa autossuficiência, de modo que o soberbo se crê autossuficiente (ignorando a verdade da insuficiência humana, inclusive com relação à verdade). Outra importante virtude é a docilidade, cujo oposto é a indocilidade, que consiste em não se deixar ensinar, em ter o próprio juízo como medida de todas as coisas, um “egocentrismo da razão”. A humildade permite a docilidade, portanto o aprendizado da verdade, enquanto a autossuficiência leva à indocilidade, embora não de modo absoluto, mas em graus variáveis, sempre aquém do possível crescimento da consciência pela posse da verdade.  Neste sentido, por exemplo, o relativismo, a ideia de que “cada um tem a sua verdade”, é falsa humildade, e na realidade é soberba.

Em sua carta aos Romanos (2,5-8), São Paulo Apóstolo diz: “Mas com a tua dureza e coração impenitente acumulas para ti um tesouro de ira para o dia da ira e da manifestação do justo juízo de Deus, que há-de dar a cada um segundo as suas obras: (dará) a vida eterna aos que, perseverando na prática do bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; (dará) ira e indignação aos que são pertinazes, indóceis à verdade, mas dóceis à injustiça…”.

“O que detesta a correção é um insensato”

Em Provérbios é dito: “Aquele que ama a correção ama a ciência, mas o que detesta a correção é um insensato” (12,1).

A correção supõe o correto e o incorreto, o bem e mal, o verdadeiro e o falso, e supõe que o correto deve prevalecer sobre o incorreto, o bem sobre o mal e o verdadeiro sobre o falso. Sem realidade objetiva com valores objetivos, a correção como algo positivo não faria sentido e teria significado meramente subjetivo, equivalente ao seu oposto, porque no subjetivismo há necessariamente um princípio de equivalência no qual o que é dito bom ou verdadeiro vale tanto quanto o que é dito mau ou falso. Nele, a insensatez vale tanto quanto a sabedoria.

Aquele que ama a ciência, que é o mesmo que amar a verdade como bondade, quer que ela prevaleça sobre seus opostos, e por isso ama a correção, que serve a este fim, que o faz passar de um estado negativo de ausência para um estado positivo de presença. Nem tudo que está na mente de um homem comum é necessariamente falso nem necessariamente verdadeiro; e ele pode se enganar, mas também pode ser corrigido, colocado no que é correto, conforme a realidade objetiva das coisas.

Quem detesta a correção é um insensato, que age contra a razão, capaz de discernimento natural ou informada por palavra divina, que diz o bem e o melhor ou o mal e o pior, o verdadeiro e o falso, o correto e o incorreto. Fazer isto é ir contra o princípio da sabedoria prática segundo o qual o homem deve fazer o bem e evitar o mal, porque além de ser bondade em si e maldade em si, o bem é fonte de bens e o mal fonte de males, enquanto privação do bem. Neste caso, o insensato que rejeita a correção age contra si mesmo ao privar-se do bem e seus frutos, prefere o mal e o pior em vez do bem e o melhor.

“Só Deus é bom”

Em seus conselhos espirituais, conforme a sabedoria católica, São Maximiliano Kolbe ensina: “Tem o senso do dever, cumpre-o bem”, “cumpre bem todos teus deveres; tudo com a intenção de agradar unicamente a Deus”.

Há uma lei moral objetiva, que pertence à ordem divina do ser. Ela, enquanto dever-ser que corresponde à bondade das coisas, afirma o bem e o melhor, contra o mal e o pior, entre os possíveis de se realizar pela vontade humana, que pode escolher entre contrários.

O melhor é dentro dos bens e o pior é dentro dos males. Assim, por exemplo, o melhor dos bens para o homem é o Sumo Bem, cuja posse é o Céu eterno de Cristo, e o pior dos males é a privação sem fim do mesmo Sumo Bem, denominada inferno.

Como esta é a realidade objetiva, e pelos fundamentos absolutos do dever, antes de tudo a Bondade Divina, o homem deve afirmar os valores moralmente relevantes e deve negar seus contrários, de importância negativa, em vista do fim último, do Sumo Bem, que o criou para que participe de sua felicidade infinita. O dever moral está no sentido do bem e o melhor contra o mal e o pior, de modo que ele está para a perfeição das coisas, inclusive da pessoa humana perfectível.

Na Sagrada Escritura é dito: “Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: “Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna?”. Disse-lhe Jesus: “Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos”.* “Quais?”– perguntou ele. Jesus respondeu: “Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo”. Disse-lhe o jovem: “Tenho observado tudo isso desde a minha infância. Que me falta ainda?”. Respondeu Jesus: “Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me!”. (Mt 19,16-21)

Sobre o culto eucarístico, o sacrifício do altar

Sobre o culto eucarístico o Papa Pio XII ensina:

“59. O mistério da santíssima eucaristia, instituída pelo sumo sacerdote Jesus Cristo e, por vontade sua, perpetuamente renovada pelos seus ministros, é como a súmula e o centro da religião cristã. Em se tratando do ápice da sagrada liturgia, julgamos oportuno, veneráveis irmãos, deter-nos um pouco, chamando a vossa atenção para esta importantíssima temática.

60. O Cristo Senhor, “sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque” (56) “tendo amado os seus que estavam no mundo”,”na última ceia, na noite em que foi traído, para deixar à Igreja, sua esposa dileta, um sacrifício visível, como exige a natureza dos homens, o qual representasse o sacrifício cruento que devia cumprir-se na cruz uma só vez, e para que a sua lembrança permanecesse até o fim dos séculos e nos fosse aplicada sua salutar virtude em remissão dos nossos pecados cotidianos… ofereceu a Deus Pai o seu corpo e o seu sangue sob as espécies de pão e de vinho e deu-os aos apóstolos então constituídos sacerdotes do Novo Testamento, para que sob essas mesmas espécies o recebessem, e ordenou a eles e aos seus sucessores no sacerdócio, que o oferecessem”.

61. O augusto sacrifício do altar não é, pois, uma pura e simples comemoração da paixão e morte de Jesus Cristo, mas é um verdadeiro e próprio sacrifício, no qual, imolando-se incruentamente, o sumo Sacerdote faz aquilo que fez uma vez sobre a cruz, oferecendo-se todo ao Pai, vítima agradabilíssima. “Uma… e idêntica é a vítima: aquele mesmo, que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes, se ofereceu então sobre a cruz; é diferente apenas, o modo de fazer a oferta”.

62. Idêntico, pois, é o sacerdote, Jesus Cristo, cuja sagrada pessoa é representada pelo seu ministro. Este, pela consagração sacerdotal recebida, assemelha-se ao sumo Sacerdote e tem o poder de agir em virtude e na pessoa do próprio Cristo; por isso, com sua ação sacerdotal, de certo modo, “empresta a Cristo a sua língua, e lhe oferece a sua mão”.

63. Também idêntica é a vítima, isto é, o divino Redentor, segundo a sua humana natureza e na realidade do seu corpo e do seu sangue. Diferente, porém, é o modo pelo qual Cristo é oferecido. Na cruz, com efeito, ele se ofereceu todo a Deus com os seus sofrimentos, e a imolação da vítima foi realizada por meio de morte cruenta livremente sofrida; no altar, ao invés, por causa do estado glorioso de sua natureza humana, “a morte não tem mais domínio sobre ele” e, por conseguinte, não é possível a efusão do sangue; mas a divina sabedoria encontrou o modo admirável de tornar manifesto o sacrifício de nosso Redentor com sinais exteriores que são símbolos de morte. Já que, por meio da transubstanciação do pão no corpo e do vinho no sangue de Cristo, têm-se realmente presentes o seu corpo e o seu sangue; as espécies eucarísticas, sob as quais está presente, simbolizam a cruenta separação do corpo e do sangue. Assim o memorial da sua morte real sobre o Calvário repete-se sempre no sacrifício do altar, porque, por meio de símbolos distintos, se significa e demonstra que Jesus Cristo se encontra em estado de vítima.” (encíclica “Mediator Dei”, 1947)

“Adquire (a todo custo) a verdade, e não a vendas, adquire sabedoria”

Em Provérbios (23,23) é dito: “Adquire (a todo custo) a verdade, e não a vendas, adquire sabedoria, instrução, inteligência”.

Certamente, alguém só pode adquirir algo que é adquirível e se não o possui. Sem essas duas coisas não há aquisição possível. Quem já possui a verdade não pode obter a verdade já possuída, porque do contrário possuiria e não possuiria a mesma coisa ao mesmo tempo, o que é contradição, portanto impossível. Assim, por exemplo, é impossível que Deus adquira um bem, pois Ele já possui todos os bens, e por isso lhe é próprio comunicar o que possui para aqueles que não possuem.

Quanto ao adquirível, uma árvore não pode adquirir sabedoria, porque não é um ser dotado de intelecto, capaz de entendimento, de compreensão dos significados e razões que há nas coisas. Ela não possui sabedoria e não pode obtê-la, devido ao seu não-ser que equivale a um não-poder. Para fazer e para sofrer (receber) é necessário ser, antes de tudo ser possível, ser em potência. No caso de Deus, Ele não pode sofrer nada, porque é totalmente perfeito, ato puro, e pode fazer tudo, porque é onipotente.     

Se a verdade deve ser adquirida a todo custo, isto quer dizer que pode ser custoso obtê-la, mas que vale a pena pelo seu valor, pelo bem objetivo que é possui-la. E tão valiosa ela é, que não deve ser vendida, isto é, trocada por outra coisa, como se essa valesse mais, o que é ilusão. Nas verdades da sabedoria, na inteligência das coisas, está o bom caminho do homem, que conduz a muitos bens de uma vida frutuosa, conforme a ordem divina do ser.