
Todo ser possui uma razão de ser, que significa pelo menos duas coisas importantes: a razão de ser algo e não um puro nada e a razão de ser como é e não ser de outro modo. Um exemplo. Deus, por ser o ser que é, por sua eternidade, sem princípio nem fim, é o princípio e o fim. Assim, ele é sempre o Antecedente de todos os consequentes, que em razão de ser o que são exigem antecedente, como o filho em relação ao pai. Eis o Deus criador não criado, que é desde sempre. Ele, por ser o que é, não faz nada sem motivos em sua Sabedoria, sempre tem razão em suas razões. As decisões divinas trazem sempre a Sabedoria divina que tudo compreende, a Bondade divina que tudo avalia e a Onipotência divina que tudo pode na totalidade do possível.
Deus, por ser o que é, em sua onipotência, é o verdadeiro Senhor da história, e não há ninguém que possa se opor a seu poder, sendo ele mesmo a fonte de todo poder. Em uma só ação divina, de um instante para outro, um poderoso é derrubado de seu trono. Vale para os demônios, que só podem agir com permissão de Deus, como ensina o livro de Jó: “Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles. O Senhor disse-lhe: “De onde vens tu?”. “Andei dando volta pelo mundo – disse Satanás – e passeando por ele”. O Senhor disse-lhe: “Notaste o meu servo Jó? Não há outro igual a ele na terra. É um homem íntegro e reto, temente a Deus e se mantém longe do mal”. Mas o Satanás respondeu ao Senhor: “É a troco de nada que Jó teme a Deus? Não cercaste, qual uma muralha, a sua pessoa, a sua casa e todos os seus bens? Abençoaste tudo quanto ele fez e seus rebanhos cobriram toda a região. Mas estende a tua mão e toca em tudo o que ele possui. Juro-te que te amaldiçoará na tua face”. “Pois bem!”– respondeu o Senhor. “Tudo o que ele possui está em teu poder. Mas não estendas a tua mão contra a sua pessoa.”
Em Provérbios é ensinado que Deus “abomina a balança fraudulenta, mas o peso justo lhe é agradável”. Jó é a figura do servo sábio que tem a virtude comprovada pelo peso justo da fidelidade nas adversidades, sempre recompensada pelo Onipotente no devido tempo, com muito mais do que se perdeu.
