
Pelos males que surgem a partir dela, como os frutos de uma árvore má de que fala o Divino Jesus, a revolta protestante é como que uma das “caixas de pandora” na história humana. Significou uma mutilação no Corpo Místico de Cristo, pela multiplicação ilegítima de “denominações” que recebem o nome cristão, com novos “fundadores” e “mestres” de todo tipo, com inúmeras confusões e contradições entre si, contrário ao que é próprio da Verdade encarnada e suas palavras de vida eterna. Ela contribui assim para o destronamento social da verdadeira religião, da verdade e da sabedoria. Tudo isto, com as falsidades e maldades aí contidas, atinge negativamente os verdadeiros caminhos ensinados por Cristo para o bem eterno das almas, pois diz Santo Agostinho que é importante para a salvação humana que “estejam concordes: a filosofia – isto é, a procura da sabedoria, e a religião”.
Hoje é dia São Domingos de Gusmão. Como está escrito no livro Diálogos, sobre ele disse Deus Pai à Santa Catarina de Sena: “Se consideras a ordem de teu pai Domingos, meu filho querido, verás que foi com perfeição que a fundou. Era desejo seu que os religiosos se ocupassem unicamente com minha glória e a salvação dos homens mediante a luz da ciência. Foi neste ponto que ele fixou sua escolha, sem desprezar a pobreza autêntica e voluntária (…) mas o elemento próprio de sua ordem era a luz da ciência, para como ela extirpar os erros surgidos naqueles tempos. Domingos assumiu a função de Jesus, Verbo encarnado: surgiu no mundo como apóstolo, semeou a Palavra com veracidade e clareza, afastou as trevas, espargiu a luz; foi um luzeiro por mim colocado no mundo, através de Maria, e inserido na hierarquia da Igreja como extirpador de heresias. (…) Onde alimentou Domingos os seus religiosos com a luz da ciência? Na mesa da cruz! É na cruz que se encontra o desejo santo, graças ao qual a pessoa sente sede de almas para minha glória. A intenção de Domingos era que seus filhos se preocupassem unicamente com isso mediante a luz da ciência. (…)
Quis que seus filhos praticassem a obediência; que fossem obedientes na realização dos seus encargos. Dado que a vida impura prejudica a visão intelectual e corporal, Domingos desejou que nenhuma imoralidade ofuscasse a luz da razão em seus filhos. Esperava que elas alcançassem a luz da ciência em profundidade; por isso estabeleceu o terceiro voto, de castidade, pedindo que observassem perfeitamente. Hoje, infelizmente, é tão mal praticado! Também a luz da ciência, como muitos a pervertem mediante a trevas do orgulho! Em si mesma, a luz da ciência não tolera as trevas, mas pode obscurecer a alma. Onde há soberba, não existe obediência. Como afirmei, o homem é tanto humilde quanto é obediente, e tanto obediente quanto humilde. (…)
Domingos assemelhava-se a meu Filho: não queria a morte do pecador, mas sua conversão e vida (Ez 33, 11). (…) Em verdade, Domingos e Francisco foram duas colunas da santa Igreja; Francisco pela pobreza, Domingos pela ciência”.





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