
“Embora Jesus Cristo tenha dito que ninguém sabe o tempo ou a hora do fim do mundo, ainda assim, em todas as épocas, os homens têm se esforçado para investigá-lo por conjecturas e acreditam estar próximos do fim. O próprio São Gregório afirmou isso em sua época, e o fim lhe parecia iminente. Comecemos por dizer que se é presunçoso querer determinar o ano da catástrofe universal, não é contrário às palavras de Jesus investigar os sinais que a precederão, aliás é oportuno ficar mais entusiasmado para não se apegar ao mundo e zelar pela salvação do mundo. Não se pode negar que vivemos num tempo de convulsão excepcional e de impiedade singular, e isso faz pensar seriamente num fim que não está extremamente distante; poderíamos dizer que muitos estão esperando por isso. (…)
A mesma maldade incomensurável e quase irreparável dos homens faz-nos pensar que não há outro remédio senão a ruína de tudo. Os meios de corrupção, de fato, são tão numerosos que é difícil ver como podem ser eliminados sem uma catástrofe. (…) A impureza espalha-se pior do que na época do dilúvio, a mania homicida já não tem limites, a subversão dos valores mais elementares da vida já não dá esperança de um regresso aos caminhos do bem; esperamos uma catástrofe e diríamos até que esperamos uma catástrofe.
É claro que existem alguns sinais precursores do fim, mas não sabemos que outras surpresas a delinquência humana pode nos trazer, tornada mais letal pelas próprias descobertas da chamada ciência. (…) A apostasia universal e a luta feroz contra Deus, Jesus Cristo e a Igreja, uma luta que nunca teve a arrogância moderna, já nos faz pensar nos arautos do maldito reinado do anticristo. Terá que haver um período de triunfo para a Igreja, uma primeira ressurreição de tudo em Jesus Cristo, e isso pode ser visto no Apocalipse, mas este período será quase como um dia sereno para semear e colher novas flores para o céu. O terrível mal que já nos sufoca permanecerá como que acorrentado e ressurgirá ainda mais terrível no tempo do anticristo.”
Nada de preciso pode ser dito, porque os sinais que agora vemos como característicos poderiam ser seguidos por outros mais terríveis. (…) Os sinais que vemos e a incerteza que sempre nos domina devem apenas fazer-nos permanecer vigilantes e impelir-nos a viver cristãmente, ou melhor, como santos. Hoje vivemos como se estivéssemos à beira de um vulcão; tudo é precário para nós, tudo é causa de dores opressivas e de tristezas sombrias e tudo o que precisamos fazer é abandonar-nos a Deus e amá-lo acima de todas as coisas. (…) Nesta atmosfera pestilenta que certamente já é anticristianismo, devemos manter-nos firmes nas nossas posições de fé e não nos deixarmos vencer nem pelo respeito humano nem pela mais vil apostasia.
(…) Acima de tudo, devemos viver cristãmente na prática dos Sacramentos e na vida, para que a atmosfera do mundo não nos sufoque, e devemos ter a fé como um tesouro preciosíssimo. Nada nos faz vacilar, nada nos fascina, nada nos afasta de Jesus Cristo e da Igreja Católica, Apostólica, Romana. Não acreditamos em falsos profetas, e há muitos deles que afirmam pregar novas religiões, novas morais e novas ordens sociais; estes, como disse Pio XI, são vendedores ambulantes de quimeras, destinados à mais amarga decepção. Escutemos a voz da verdade que está na Igreja Católica, Apostólica, Romana, e convençamo-nos de que nunca antes nestes momentos de confusão se sente a necessidade de dar ouvidos à verdade e as mãos à Mãe!”. (por Dolindo Ruotolo, sacerdote e místico católico, italiano, século XX)
