“Muitas vezes ouvi pessoas sem confiança nos caminhos do bem e da virtude que diziam: ‘Eu gostaria de ser boa, de fugir do pecado, de ser santa, mas não tenho força. Tentei tantas vezes, mas vi que sou fraca e desisti completamente’.

Deus mesmo nos levanta dessa fraqueza, permitindo-nos suplicar a Ele, pedir e atrair desse modo o seu poder sobre nós. A oração é o grande meio que supre todas as nossas deficiências morais e nos torna capazes de uma virtude que deriva da ajuda especial de Deus, de um dom divino. Daqui vem a grande palavra de Santo Afonso: ‘Quem reza, salva-se; quem não reza, condena-se’. Quando alguém não reza, reduz-se necessariamente à condição de uma criança abandonada a si mesma, que tem mãos mas não pode prover a suas necessidades; tem pernas mas não pode caminhar, porque são fracas; tem língua mas não pode falar, pois não sabe se exprimir. A nossa casa, nessas condições, é deserta e desolada; e, onde não penetra a potente mão de Deus, não reina a não ser a miséria.

Rezamos pouco e o pior é que o fazemos somente com os lábios, pois estamos persuadidos que a oração seja somente uma voz que vai além da nossa pobre terra. Não sabemos que essa é, ao invés, uma verdadeira força que atrai sobre nós a proteção de Deus.

Uma alma se encontra diante de um perigo e ora com viva fé: o perigo desaparece – por exemplo, acalmam-se as ondas do mar, dissipa-se a tempestade, etc. A oração equivale, neste caso, à força imensa que seria necessária para frear os ventos e domar uma tempestade (…)

Sentimo-nos preguiçosos no espírito, aborrecemo-nos com tudo e parece que nos sentimos desanimados do caminho do Céu; rezamos e então, rapidamente, Deus vem a nossa alma e lhe dá força. A oração equivale à força de um longo hábito e de um longo exercício. Se, de fato, a oração é a força do espírito, é claro que, vivendo sem rezar, a alma se enfraquece, debilita-se, é como que abandonada à sua capacidade, que não é senão fraqueza e miséria. Por isso Jesus nos recomendou rezar e jamais desistir; por isso Ele mesmo quis ensinar-nos a orar”. (sacerdote Dolindo Ruotolo, místico católico, italiano, do século passado)

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