“E aos olhos de todos os povos e de todos os reis se tornará evidente que não são deuses, mas obras de mãos humanas, já que nada se encontra de divino neles”

No livro de Baruc, presente na Sagrada Escritura, há uma carta atribuída ao profeta Jeremias. Nela, entre outras coisas, ele diz: “Como acreditar, então, que sejam deuses aqueles que são incapazes de se salvar da guerra ou de outra qualquer calamidade? Mais tarde se saberá que os ídolos de madeira dourada ou prateada são apenas engano. E aos olhos de todos os povos e de todos os reis se tornará evidente que não são deuses, mas obras de mãos humanas, já que nada se encontra de divino neles. Como, pois, poderá deixar de se tornar evidente que não são deuses?”

Considerado em si mesmo, crer ou acreditar não é necessariamente algo positivo, porque nem tudo é crível, porque é possível acreditar contra a razão, porque é possível acreditar no que é falso. A verdade, enquanto valor supremo para a vida humana, está acima do acreditar e não o contrário. Crer contra a razão, que no caso equivale a crer contra a verdade, é algo sem sentido. Isto vale para toda a vida do homem, o que inclui a religião. O verdadeiro Deus é a Verdade e a verdadeira religião é a religião da verdade, caminho na verdade para a posse eterna da Verdade Eterna.

Os pagãos mencionados pelo profeta Jeremias estão na falsidade quanto aos seus deuses. Assim, puro engano são os seus deuses e mentira é sua religião. No caso, tais figuras são tratadas como se fossem o que na realidade não são. A eles se dirigem palavras, como se pudessem ouvir, enquanto na realidade são incapazes de ouvir qualquer coisa. A eles se pede proteção, como se pudessem proteger, enquanto na realidade não são capazes de proteger a si mesmos do menor dos insetos.

A incapacidade desses falsos deuses mostra o que de fato são e a ilusão que há em acreditar neles como deuses. Há uma relação necessária entre ser e poder, no sentido de que para poder é necessário ser e o poder de certo modo mostra o ser. Neste caso, mais valem os animais do que esses falsos deuses de prata, porque os animais podem mais, e assim valem mais.

O senso de realidade, com a consideração dos princípios do ser tal como mostra a realidade, a exemplo do princípio de não contradição, segundo o qual nada pode ser e não-ser simultaneamente sob o mesmo aspecto, é uma característica importante da verdadeira religião, deve prevalecer nela, o que não significa racionalismo, uma perversão da razão humana, que a eleva acima de seu verdadeiro poder,  um ídolo moderno.

Os falsos deuses, os ídolos, são obras de mãos humanas ou conselhos diabólicos, nos quais não há nada de divino, porque Deus é a Puríssima Verdade, que não se engana nem engana ninguém, que em seu Ser Divino exclui qualquer falsidade e maldade.

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