
Em Provérbios é dito: “Feliz do homem que encontrou a sabedoria, daquele que adquiriu a inteligência, porque mais vale este lucro que o da prata, e o fruto que se obtém é melhor que o fino ouro. Ela é mais preciosa que as pérolas, joia alguma a pode igualar”(3,13-15).
No Evangelho Cristo fala dos bem-aventurados, dos homens felizes, e nisso fala onde está a felicidade ou o que a traz. Por exemplo, Ele diz “felizes os puros de coração, porque verão a Deus”. Ver a Deus no sentido dito por Cristo Jesus é ser feliz, o que é proporcionado pela de coração. Um coração puro, purificado ou mantido puro pelo próprio Deus, está apto a ver a Deus, o que é o mesmo que contemplar a Verdade, a plenitude do Ser, que é toda a felicidade. A revelação do Antigo Testamento é parte essencial da Revelação Cristã. O que é dito em Provérbios e palavra de Deus, instrução divina. Nele é dito que feliz é o homem que encontrou a sabedoria, que adquiriu a inteligência. Assim, segundo o mesmo Espírito da Verdade, a posse da sabedoria, da inteligência e da pureza de coração faz o homem feliz, são para a criatura humana causa de felicidade. Esse é também um ensinamento dos mistérios gozosos do Santo Terço Mariano, porque neles são ensinadas a alegria da pureza e da sabedoria.
Essa sabedoria não é nenhuma das três falsas sabedorias mencionadas por São Luís de Montfort, que são a “sabedoria terrestre”, do amor pelos bens da terra, a “sabedoria carnal”, do amor pelo prazer, e a “sabedoria diabólica”, do amor pela estima e honrarias. E também não é ainda a ‘sabedoria natural”, dos filósofos, embora possua seu valor pelo valor das verdades nela contidas, como os princípios universais do ser. Como diz São Luís: “Tal sabedoria consistia num conhecimento eminente da natureza, nos seus princípios. Foi comunicada na sua plenitude a Adão, no seu estado de inocência, e foi dada em abundância a Salomão; no decorrer dos séculos, mais um ou outro grande personagem a recebeu, como refere história”. (“O Amor da Sabedoria Eterna”)
