“Amor ao próximo

Quando Cristo foi perguntado qual era o maior mandamento, ele deu duas respostas para a única pergunta. A primeira foi “Amarás o Senhor teu Deus”, da qual já falamos. A segunda foi “e teu próximo como a ti mesmo”. Neste ponto, devemos ressaltar que quem observa isso cumpre toda a lei. O Apóstolo disse (Rm 13,10): “O cumprimento da lei é amor”.
Quatro motivos para amar nosso próximo
Há quatro motivos para amar o nosso próximo: O primeiro é o amor divino, pois é dito (1 Jo 4,20): “Se alguém diz que ama a Deus, enquanto odeia seu irmão, é mentiroso”. Quem diz que ama alguém, enquanto odeia seu filho ou seus membros, está mentindo. Mas todos nós, fiéis, somos filhos e membros de Cristo. O Apóstolo diz (1 Cor 12,27): “Vós sois o corpo de Cristo, e cada um de vós um membro dele”. Portanto, todo aquele que odeia seu próximo não ama a Deus.
O segundo motivo é o preceito divino. Pois quando Cristo estava indo embora, ele enfatizou esse mandamento a seus discípulos acima de todos os outros mandamentos, dizendo (Jo 15,12): “Este é meu mandamento, que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. Porque ninguém está observando os mandamentos divinos se odeia ao próximo. Portanto, o sinal de observância da lei divina é o amor ao próximo. Assim disse o Senhor (Jo 13,35): “Nisto todos saberão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns pelos outros”. Ele não aponta para a ressurreição dos mortos ou qualquer outro sinal gritante, mas este é o sinal: “se vocês tiverem amor uns pelos outros”. O abençoado João ponderou isso bem quando disse (1Jo 3,14): “Sabemos que fomos trasladados da morte para a vida”. Por quê? “Porque amamos os irmãos. Quem não ama, permanece na morte”.
O terceiro motivo é nossa participação na mesma natureza, como é dito (Eclo 13,19): “Todo animal ama seu semelhante”. Como todos os homens são semelhantes por natureza, eles devem se amar uns aos outros. Assim, odiar o próximo não é apenas contra a lei divina, mas também contra a lei da natureza.
O quarto motivo são as vantagens que traz. Pois tudo o que uma pessoa tem é útil à outra através da caridade. Pois é isso que une a Igreja e torna tudo comum (Sl 118,63): “Eu sou companheiro de todos os que vos temem e guardam vossos preceitos”. (Santo Tomás de Aquino, em “Os Dez Mandamentos”)
