“Naqueles dias, ouvindo a voz do Senhor do meio da sarça, 13 Moisés disse a Deus: “Sim, eu irei aos filhos de Israel e lhes direi: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas, se eles perguntarem: ‘Qual é o seu nome?’ o que lhes devo responder?” 14 Deus disse a Moisés: “Eu sou aquele que sou”. E acrescentou: “Assim responderás aos filhos de Israel: ‘Eu sou enviou-me a vós’”. 15 E Deus disse ainda a Moisés: “Assim dirás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, enviou-me a vós’. Este é o meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração. 16 Vai, reúne os anciãos de Israel e dize-lhes: ‘O Senhor, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó, apareceu-me, dizendo: Eu vos visitei e vi tudo o que vos sucede no Egito. 17 E decidi tirar-vos da opressão do Egito e conduzir-vos à terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos fereseus, dos heveus e dos jebuseus, a uma terra onde corre leite e mel”. (Ex 3,13-20)

Na ação divina para os homens, há alguns princípios que, se considerados, auxiliam em certa inteligência a respeito dos caminhos de Deus e de suas obras. Primeiro, como ensina Santo Tomás, Deus sempre age por um fim, e nisso Ele quer o fim e aquilo que é para o fim. Segundo, Deus quer a virtude nos homens, porque quer a bondade neles. Terceiro, as virtudes são provadas na adversidade, nas contrariedades que lhes exigem, segundo o que é dito, por exemplo, em Eclesiástico: “e prepara a tua alma para a provação” e “pelo fogo se experimentam o ouro e a prata” (2,1-3). A este respeito, como revelação privada de Deus Pai, Santa Catarina de Sena escreve: “Quando alguém não resiste no tempo das contradições, é sinal de que não possuía uma virtude verdadeira”.

E tudo isso é providenciado por Deus. Ele providencia as oportunidades de virtude para o mensageiro escolhido, no caso Moisés, e para os destinatários da mensagem, no caso o povo. Para este, por exemplo, é dada a oportunidade da fé, da obediência e da humildade, com frutos cheios de bens. Eis uma das razões pela qual ordinariamente Deus não se mostra aos homens tal como Ele é. Porém, com Cristo há a promessa de uma visão imediata, e isso é a suprema felicidade pela posse eterna do Bem fonte de todo bem, que sacia superabundantemente os desejos mais profundos da alma humana, que são sempre desejos de felicidade.

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