
Uma verdade fundamental da sabedoria filosófica, possível ao homem enquanto “animal racional”, é a capacidade humana de alcançar conhecimentos com certeza absoluta.
A inteligência humana pode ter certezas objetivas fundamentadas na realidade mesma, especialmente: (I) quanto aos primeiros princípios do ser, como o princípio de não contradição, que ensina a impossibilidade absoluta do ser e não-ser simultâneos sob o mesmo aspecto; (II) quanto a verdades metafísicas necessárias, como “nada pode causar a si mesmo” e “nada pode vir do nada”; (III) quanto a afirmações demonstradas a partir de evidências intelectuais inegáveis, como “dado que há o ser e não o nada, o ser que há é eterno, sem princípio nem fim, porque não pode ter vindo do nada nem voltar ao nada”; (IV) quanto a leis de essências, como a lei de que em “toda dúvida há aquele que duvida e a coisa duvidada”, pois sem esses componentes não é possível haver dúvida.
No caso, certeza absoluta significa algo acima de qualquer dúvida razoável, pela necessidade absoluta, pela impossibilidade do contrário, de modo que o fundamento é sempre o princípio de não contradição, uma lei do ser e da razão, cuja negação de certa maneira é o mesmo que afirmar o “nada absoluto”, o niilismo do ser, do conhecer, do dizer e do viver. Além disso, os casos mencionados mostram que há conhecimento certo relevante para além da “ciência moderna”, exercida pelo uso do “método científico”, que tem a verificação empírica como requisito de prova ou demonstração.
A negação da capacidade humana para a verdade e a certeza absoluta tem suas consequências necessárias. Sem elas, necessariamente não há conhecimento algum e, consequentemente, não há ciência, nem filosofia nem teologia. O filósofo alemão Leibniz diz: “O conhecimento das coisas eternas e necessárias nos distingue dos simples animais e nos põe na posse da razão e das ciências, elevando-nos ao conhecimento de nós mesmos e de Deus”.
Em sua oração sacerdotal, Cristo disse ao Pai: “Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade”. (Jo 17,15-17)
