O autêntico cristianismo se autoafirma como religião do Verbo encarnado, do Deus-Homem, Jesus Cristo, fundada na realidade objetiva, o que inclui como algo fundamental a realidade dos fatos concretos, objeto de testemunho direto. Assim, a anunciação do anjo Gabriel, a Encarnação, o nascimento, a pregação pública, os milagres, o sofrimento, a morte, a Ressureição, a aparição aos discípulos e a fundação da Igreja são fatos, e de grande importância.

Os milagres acontecem na realidade objetiva e, enquanto realmente existentes, todos eles ensinam algo não somente sobre Deus, por exemplo sobre sua Onipotência, mas também sobre a realidade física, o mundo da matéria. A água, o vinho e o corpo doente, dentre outros, pertencem a esta esfera do ser. O real físico tem suas possibilidades, necessidades e impossibilidades, tem suas leis, que expressam uniformidades e tendências naturais, e está totalmente submetido ao poder de Deus, seu Criador e Senhor. E assim está escrito: “Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?” (Mt 8,27).

Por ocasião da cura do filho do oficial, Cristo disse: “Vós, se não virdes milagres e prodígios, não credes” (Jo 4,48). Por sua onipotência, Deus pode fazer milagres e por sua sabedoria bondosa decide fazê-los ou não em certas circunstâncias, em consideração dos fins, por Ele é agente perfeito, de ato único, que sempre agem por um fim e faz certas coisas por causa de outras, como no caso dos sofrimentos de José do Egito, que resultou em final feliz.

Sobre as razões de conveniência para os milagres, Santo Tomás diz: “O dito do Evangelho – não podia ali fazer milagres algum (Mc 6,5) – não se refere ao poder absoluto, mas ao que Cristo fazia por conveniência. Assim, não conveniente operasse milagres entre incrédulos; por isso o evangelista acrescenta: E se admirava da incredulidade deles”.

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