
Conhecer é um modo de participar do ser da coisa conhecida; é um modo de possuí-la na consciência. Porque é animal racional, a presença do homem na realidade não é apenas física, como corpo entre corpos, mas também cognitiva, com potência para conhecimento sensorial e intelectual. Ele é capaz de ver com os olhos, como na visão das diversas cores, e é capaz de ver com a inteligência imaterial, como na visão dos princípios universais do ser, a exemplo do princípio de não contradição.
Como possibilidades de sua mente, o homem pode saber que sabe, pode saber que não sabe e pode não saber que não sabe. A este respeito, por exemplo, cabe a famosa frase de Sócrates: “Só sei que nada sei”. Isto corresponde a certa virtude, enquanto oposta à presunção de saber e à superestimação de si mesmo, e a certo rigor intelectual próprio da filosofia, em sua meta de caminhar criteriosamente até a verdade do ser, alcançável pelo homem em sua natural inteligência, não tomando o verdadeiro por falso nem o falso por verdadeiro.
É comum que certos ateus, com falso rigor intelectual, e como supostos representantes da “ciência”, descartem Deus “como hipótese desnecessária”, criticando seu uso explicativo como “o Deus das lacunas”, como quem dissesse: “não sabemos a explicação, então é Deus”. Isto é falso, entre outras razões, porque, dentro do rigor intelectual que há na verdadeira religião, por exemplo nos teólogos, filósofos e cientistas católicos exemplares, Deus é afirmado não como explicação em razão do desconhecido, mas sim como explicação razoável da realidade conhecida, no plano superior da metafísica, da realidade em sua totalidade, com o essencial, o necessário, o possível e o impossível.
A realidade objetiva, em sua racionalidade interna, oferece sempre explicações razoáveis, e a razão humana, pela unidade que há entre as duas, exige tais explicações, embora nem sempre sejam alcançáveis para ela. Deus é a explicação ontológica última — o último porquê — das coisas, que exigem tal explicação por serem como são, por exemplo enquanto contingentes, finitas, ordenadas e entendíveis.
Na Sagrada Escritura é dito: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.” (Sl 18(19),2); “Encheu-os de inteligência para compreenderem tudo o que existe.” (Eclo 17,7) “Aplicarei meu coração a conhecer, investigar e buscar a sabedoria e a razão das coisas.” (Ecl 7,25)




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