
No Evangelho de São Mateus é dito: “Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado. Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer. Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: ‘Olha, os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer em dia de sábado!’ Jesus respondeu-lhes: ‘Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda, que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? Ou nunca lestes na Lei que, em dia de sábado, no Templo, os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma? Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. Se tivésseis compreendido o que significa: “Quero a misericórdia e não o sacrifício”, não teríeis condenado os inocentes. De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado.’” (Mt 12,1-8).
Toda proibição é um “não pode” para algo, uma negação de algo qualificado como mal, uma negação em razão do negativo. Ela é um “não pode” que é exigido como tal, e assim é simultaneamente um dever, uma obrigação. Toda proibição supõe necessariamente a possibilidade da coisa proibida, a importância negativa dela, a liberdade e o dever. Inevitavelmente, a proibição é um tema moral, vinculado à bondade e à maldade. Se não há o bem, não pode haver o devido; e, sem o devido, não há o proibido. A esse respeito, o filósofo Dietrich von Hildebrand diz: “É evidente que, na esfera moral, as ordens e as proibições desempenham um grande papel. (…) Com a afirmação ‘matar é mau’, referimo-nos claramente a uma propriedade do ato de matar, mas não expressamos proibição alguma. Não aludimos a nenhuma proibição. Mas, certamente, mencionamos um fato que conduz, de modo necessário, a uma proibição. Remetemo-nos a algo que, por um lado, é a causa e o fundamento da proibição e que, por outro, é aquilo de onde logicamente ela se deduz.” (Ética).
Os fariseus não fizeram um julgamento justo, segundo a verdade. Em resposta a isso, Cristo não nega a proibição enquanto tal, o que seria contraditório com os mandamentos, que são proibições (como o “não matarás”), mas se opõe ao mau entendimento e a certa malícia dos fariseus. Nesse caminho, apresenta exemplos de autoridade para eles, que não poderiam negar coerentemente, de modo a explicar o sentido da lei, acrescentando, como razão principal, que Ele, o Filho do Homem, é o Senhor do sábado. Quer dizer, o divino Jesus ensina como deve ser entendido o mandamento do sábado, pelo que ele inclui e exclui, e fala como quem tem a suprema autoridade na questão: o Verbo, pelo qual foram feitas todas as coisas. Nesse sentido, o sábado, por exemplo, não deveria ser entendido de uma maneira que exclua a misericórdia e a possibilidade de fazer, com reta intenção, um bem objetivo moralmente aceitável, para não dizer devido.





