Como composto de corpo e alma espiritual, de matéria e espírito, o homem tem tanto necessidades materiais como necessidades espirituais, às quais tem que atender. Deus providenciou ambas, colocando à disposição dele diversos bens.

O entendimento e a liberdade, característicos do homem como pessoa, são espirituais, assim como o dever, a virtude e a religião. Enquanto bem fonte de bens, naturalmente um dos benefícios de se viver a verdadeira religião são os seus benefícios, conforme a divina Vontade. Nisso não há egoísmo, mas verdadeiro amor a si mesmo, em comunhão com o amor a Deus, que quer o bem de sua criatura humana.

Santo Tomás de Aquino diz: “O Deus onipotente, amante dos homens, manifesta-nos o seu amor tendo em vista tanto a sua própria bondade como o nosso proveito, conforme ensina Santo Agostinho no Livro I do De doctrina christiana. Em relação à sua própria bondade, para que os homens deem glória a Deus, segundo Isaías 43,7: ‘Todo aquele que invoca o meu nome, eu o criei para a minha glória.’ Em relação ao nosso proveito, para que Ele conceda a todos a salvação, conforme 1 Timóteo 2,4: ‘Ele quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade.’ E essa concórdia entre Deus e os homens foi anunciada pelo Anjo no nascimento do Senhor, segundo Lucas 2,14: ‘Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade.’”

Necessariamente, o exercício da religião inclui o exercício do intelecto; daí a centralidade da palavra verdadeira, do entendimento da realidade e do conhecimento da verdade. E isso não significa intelectualismo nem gnosticismo. E, como implica a liberdade, daí a centralidade da bondade e da maldade moral e, com elas, do dever e da virtude.

Porque é pessoa, imagem de Deus, o homem foi feito para algo a mais do que satisfazer suas necessidades materiais. É animal racional, mas, por sua racionalidade, fundamento de sua liberdade, é pessoa. Neste caso, valem as palavras de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para vós, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousar em vós.” (Confissões, I, 1).

Deixe um comentário

Tendência