
No livro dos Atos dos Apóstolos é dito: “Naqueles dias, os que conduziram Paulo levaram-no até Atenas. De lá, voltando, transmitiram a Silas e Timóteo a ordem de que fossem ter com ele o mais cedo possível. E partiram. De pé, no meio do Areópago, Paulo disse: ‘Homens atenienses, em tudo eu vejo que vós sois extremamente religiosos. Com efeito, passando e observando os vossos lugares de culto, encontrei também um altar com esta inscrição: “Ao Deus desconhecido”. Pois bem, esse Deus que vós adorais sem conhecer é exatamente aquele que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo Senhor do céu e da terra, ele não habita em santuários feitos por mãos humanas (…)’” (At 17,15; 17,22–18,1).
A conversão no autêntico cristianismo está vinculada necessariamente ao princípio ético, com fundamento absoluto em Deus, de que o homem deve fazer o bem e evitar o mal. Ela supõe um mínimo de mutabilidade e potencialidade no ser humano e inclui não somente passar do mal para o bem, mas também passar do bem menor para o bem maior. Sem as realidades do bem e do melhor e do mal e do pior, o cristianismo não tem sentido, porque, entre outras coisas, isto implicaria a negação do pecado (maldade moral) e da virtude (bondade moral) como coisas reais e na negação do Sumo Bem, e, por consequência, a negação de sua possível posse ou privação perpétua, o que equivale ao Céu e ao inferno, respectivamente.
Assim, com a finalidade benéfica de que se convertam e creiam no Evangelho, que tem entre seus temas centrais a realidade em si, a verdade da razão e as bondades do ser, São Paulo Apóstolo dirige-se aos atenienses que estavam no Areópago e lhes anuncia verdades cristãs fundamentais, como a existência do único e verdadeiro Deus, com sua justiça, misericórdia e providência na história humana, e a existência do Cristo ressuscitado. Ele, dirigindo-se à razão dos atenienses, num lugar de veneração religiosa e de discussões intelectuais, fala de Deus como causa de todas as coisas que existem no mundo, com domínio e providência sobre elas, como agente inteligente que age em sua criação segundo finalidades, sem indiferença nem neutralidade, e nisso como justo juiz e misericordioso criador.
Fala também de Deus como o Absoluto independente, do qual tudo depende, e ensina o que Ele não é, portanto, como deve ser entendido, o que exclui necessariamente concepções errôneas a seu respeito, neste sentido concepções ficcionais, produto da imaginação humana, de erros intelectuais e da falta de discernimento.




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