
Dado a importância objetiva da verdade e as possibilidades negativas da mente humana, na medida do possível é importante para o homem, animal racional, ter razão e saber com certeza. O verdadeiro cristianismo, como verdadeira religião, segundo a natureza divina, a natureza humana e a natureza das coisas, não exclui isso, mas o contém ao seu modo.
Há choque entre posições humanas, por exemplo entre escolas de pensamento, em que os dois lados estão no erro, e há outras em que um dos lados está com a verdade. Este é o caso das oposições nas quais estiveram Cristo e seus apóstolos, entre eles São Paulo Apóstolo. Boa parte dos escritos do Novo Testamento, sob a inspiração do Espírito da Verdade, contém oposições e condenações a erros doutrinários, a falsas ideias. E, como ensina Santo Tomás de Aquino, é próprio do sábio defender a verdade e se opor aos enganos contrários a ela.
No cristianismo, a unidade superior a qualquer divisão é a unidade na verdade e, por relação, a unidade na bondade, inseparavelmente; na religião de Cristo há o primado absoluto do verdadeiro Deus, fundamento absoluto de todas as coisas, o que equivale ao primado da Verdade. Deus é a verdade e sempre se importa com o verdadeiro. Sem a verdade não há racionalidade, não há sabedoria, não há bondade, não há virtude, não há amor.
Certamente, fazer parte de um antagonismo, estando prudentemente e com razão do lado da verdade, é melhor do que estar em comunhão na falsidade. Aqui valem, por exemplo, as palavras de São Paulo Apóstolo: “Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas?” (2Cor 6,14).




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