Ad Iesum per MariamTerço tradicional no contorno do Brasil, com a Medalha de Nossa Senhora das Graças
CONSCIÊNCIA CATÓLICAInteligência, vontade e coração
Veritas liberabit vosSol de Santo Tomás de Aquino
CONSCIÊNCIA CATÓLICA

Uniões humanas como figuras de certas relações com Deus

Na Sagrada Escritura é dito: “Assim fala o Senhor: ‘Quando Israel era criança, eu já o amava, e desde o Egito chamei meu filho. Quanto mais eu os chamava, tanto mais eles se afastavam de mim; imolavam aos Baals e sacrificavam aos ídolos. Ensinei Efraim a dar os primeiros passos, tomei-o em meus braços, mas eles não reconheceram que eu cuidava deles. Eu os atraía com laços de humanidade, com laços de amor; era para eles como quem leva uma criança ao colo, e rebaixava-me a dar-lhes de comer. Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão. Não darei largas à minha ira, não voltarei a destruir Efraim; eu sou Deus, e não homem; o Santo no meio de vós, e não me servirei do terror.’” (Os 11,1-4.8c-9).

Como ensina Santo Tomás de Aquino, assim como o conhecimento divino é causa do ser das criaturas, o amor divino é a causa da bondade nelas. Isto é diferente do amor humano, cuja bondade da coisa amada é a sua causa. Na passagem em questão, por certa semelhança, o Senhor apresenta o tipo de amor que tem por Israel: um amor paterno, com o que é próprio desse amor, por exemplo, o educar, o alimentar e o proteger.

O filósofo Dietrich von Hildebrand, sobre certas uniões terrenas, diz: “Na amizade, a comunhão de propósitos ou de interesses espirituais, ou ainda um destino vivido em comum, desempenham um papel essencial; na relação dos pais para com os filhos, a preocupação com esses seres a eles confiados e o dever da educação; na relação dos filhos para com os pais, o sentir-se protegido e conduzido, a obediência, a gratidão” (O Matrimônio).

As uniões terrenas são também figuras de relações possíveis, efetivas e queridas por Deus para com a criatura humana. Para toda a criação há uma relação ontológica fundamental, em que Deus é a Causa absoluta, como Criador, dentro do princípio de causalidade. E há relações pessoais, somente possíveis entre pessoas espirituais dotadas de entendimento e vontade livre, como as relações de paternidade e filiação, a de amizade e a de matrimônio (conjugal). Há semelhanças e há diferenças essenciais entre elas. Nisso, por exemplo, Deus sempre age como Pai para com seus filhos, educando, corrigindo, cuidando, e espera de seus filhos que ajam como tais, com confiança, obediência e gratidão. Nesse sentido, a linguagem religiosa da Escritura é também linguagem das relações humanas pessoais, com o que lhes é natural.

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