O tema da consciência é fundamental na Sagrada Escritura. Deus fala aos homens por meio de homens escolhidos, e ante suas palavras, sempre sábias, oportunas e benéficas, o homem deve ouvi-las, sem desprezá-las, deve prestar atenção, como a algo importante, e deve buscar entendê-las, sem confusão. As palavras divinas são das Pessoas Divinas do Deus Uno e Trino para a pessoa humana, são do Intelecto Divino para o intelecto humano. A antropologia personalista, corretamente entendida, é própria da religião católica, fundamentada na realidade natural e sobrenatural.

O filósofo Antonio Millán-Puelles diz: “(…) em oposição ao animal, o homem não se move unicamente pela força natural dos instintos. Assim, por exemplo, não somente podemos sentir fome e, em virtude do instinto de conservação, buscar o alimento necessário, mas somos também capazes de entender que temos o ‘dever’ de nos alimentar. Satisfazer essa necessidade do nosso corpo não é simplesmente uma exigência física, mas também um dever, uma obrigação. (…) E é porque todo dever supõe liberdade. Só há deveres para seres livres. Os seres que não têm liberdade não cumprem nem deixam de cumprir nenhum dever. (…) Por sua vez, a liberdade não é possível sem o entendimento. (…) Para que um ato seja livre, é preciso que seja deliberado, isto é, previamente pensado ou meditado. Faz-se necessário, portanto, ter entendimento para poder agir com liberdade. E, como esta é, segundo vínhamos vendo, o que nos dá a categoria de pessoas, deve-se dizer agora que o homem tem essa categoria porque começa por ter entendimento. (…) Se por termos um corpo necessitamos de coisas materiais, por termos entendimento necessitamos, por sua vez, de outros bens: ciência, arte, religião. Estas são as supremas necessidades do homem, as ‘mais importantes’, embora as materiais sejam as ‘mais urgentes’.” (Persona Humana y Justicia Social).

Como exemplo do que foi dito, vale as palavras da Escritura sobre São João Batista: “Ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Caminhará diante dele com o espírito e o poder de Elias, para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem-disposto” (Lc 1,16-17).

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