Nada se entende do cristianismo sem considerar a natureza das coisas, em suas necessidades, impossibilidades e possibilidades objetivas, segundo o princípio de não contradição, fundamentado no próprio Deus, que não nega a si mesmo, em seu Ser totalmente perfeito.

Pelas carências objetivas de bens e pela diferença de poder, Deus só pode ser como Pai e o homem como criança. A humildade passa por reconhecer isso. E, como há o duplo aspecto do bem e do mal, Ele é providente dos bens e protetor contra os males; e, como há bens inferiores e como o mal pode servir ao bem, Deus pode permitir certos males segundo certos fins.

A ordem estabelecida por Deus favorece o homem, enquanto ordem de grande misericórdia e de superabundância de bens. De Deus nenhum homem tem o direito de reclamar, e todos têm o dever de agradecer, pois Ele é o bem fonte de todos os bens, e tudo o que há de bom em qualquer criatura dele provém. E para o homem foi dada a oportunidade da vida eterna, da felicidade plena e sem fim. Na Sagrada Escritura é dito: “O Senhor é bom para com todos, e sua misericórdia se estende a todas as suas obras.” (Sl 144,9) e “Mas tu, Senhor, és um Deus de compaixão e piedade, lento para a cólera, rico em misericórdia e fidelidade.” (Sl 85,15)

A este respeito, Cristo disse: “Quem crer será salvo; quem não crer será condenado” (Mc 16,16). E Santa Faustina Kowalska diz: “Só vai para o inferno quem quiser, pois Deus não condena ninguém”.

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