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CONSCIÊNCIA CATÓLICA

Quem é Jesus? Verdade, religião e opinião

Na Sagrada Escritura é dito: “Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e aí perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”. Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.” (Mt 16,13-20)

Sobre essa passagem, alguns pontos:

1. Algumas questões: Por que Cristo faz perguntas a certas pessoas e a outras não? Quais são as relações entre verdade, religião e opinião? Quais são as relações entre o conhecimento racional humano e a Revelação divina? Como deve ser entendida a declaração de Cristo ao Apóstolo São Pedro? Que poder há na Igreja de Cristo e qual é o poder relativo do inferno? Por que Jesus deve ser aceito como o verdadeiro Messias profetizado, segundo as revelações dadas aos profetas?

2. Verdades naturais implicadas: (I) “Não se pode atribuir a uma coisa o que sua natureza não permite”. (II) “Nada pode ser e não ser simultaneamente sob o mesmo aspecto”. (III) A verdade do logos é a conformidade do juízo da inteligência com a realidade objetiva. (IV) A verdade é transmissível. (V) Há diferentes situações possíveis da mente humana com relação à verdade-realidade, como o erro e a opinião.

3. Natureza das coisas. Sobre a revelação em sentido amplo, ela implica necessariamente: (I) como característica essencial, a comunicação de algo sabido; (II) como condições de possibilidade, exige consciência, saber, não saber e conhecimento comunicável; (III) como leis-princípios fundados em sua essência, pode-se dizer que toda revelação é sempre revelação de algo e toda revelação sempre exige consciência.

4. Comentário religioso. (a) Há uma diferença fundamental entre as declarações dos homens e a declaração de Pedro, pois aquelas são opiniões e erros, e a de Pedro é revelação divina e verdade. É uma diferença de valor, que implica outras diferenças relevantes, com afirmações e negações necessárias, entre elas nos temas fundamentais da verdadeira religião. (b) A declaração de Pedro sobre Jesus e a de Jesus sobre Pedro são ambas divinas, verdades reveladas que pertencem à missão do Messias entre os homens, referentes à Nova Aliança, à verdadeira religião. Assim, Ele mesmo disse: “É para isto que nasci e vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18,37). O Messias divino é Mestre, Verdade encarnada que ensina as verdades do caminho da salvação.

5. Críticas e razões. (I) A afirmação de que não há diferença entre verdade e opinião deve ser negada, pois é falsa, conforme mostra a própria realidade. Que atualmente existem peixes no mundo é uma verdade; a quantidade exata de todos eles, porém, já seria opinião, enquanto não se sabe realmente. (II) A afirmação de que a religião não tem nada a ver com a verdade é algo que deve ser negado; e isso pertence à sabedoria de Cristo, na qual a verdade tem máxima importância e é razão fundamental para as escolhas humanas. Se a verdade é importante em coisas elementares, como a questão dos alimentos comestíveis, quanto mais não seria em algo crucial para a vida humana, temporal e eternamente. (III) Negar o lugar que Cristo deu a Pedro em sua Igreja é negar a Escritura. E esse lugar de importância inclui certos poderes, que a outros não foram dados, por exemplo, o poder de confirmar a fé da Igreja, como pastor universal. O que foi dado a Pedro também foi dado a seus sucessores, em razão de ser a mesma Igreja, com necessidades e possibilidades que atravessam as gerações, entre elas a necessidade de confirmação da fé com certeza, ante os erros humanos e as ciladas diabólicas do pai da mentira, que age para destruir.

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