
Há uma grande semelhança entre o Filho e a Mãe. Pela união dos Corações, assim como o filho sofreu a Mãe sofreu, e assim como o Filho sofre a Mãe sofre. O Coração do Filho sofre ainda hoje e por esta razão pede para ser reparado e consolado por seus amigos, exemplificados no Apóstolo São João. O mesmo vale para o Coração da Mãe, que também tem no discípulo amado um filho que faz reparações e a consola em suas dores: “Depois disse ao discípulo: “Esta é a tua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo”. Maria é a Senhora das Dores, cumprimento da profecia de Simeão: “Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma”. Enquanto Mãe das Dores é costume falar das sete dores de Maria. Porém, pode-se falar hoje de uma oitava dor: a dor pelo modo como seu filho é tratado na Sagrada Eucaristia. Comunhões em pecado grave, sacrilégios, profanações, falta de zelo, blasfêmias, heresias, e assim por diante; tudo isto tem um gosto amargo para o Cristo-Eucaristia e fere com mais uma espada o coração amoroso de sua Mãe.
Na Santa Ceia, no Banquete Eucarístico, há Judas e há o Apóstolo São João. Um é o traidor, com duplicidade diabólica, simbolizada no beijo da traição, motivo de sofrimento para o amoroso Mestre, e o outro é o consolador, que reclina sua cabeça em direção ao Coração do Redentor e o acompanha virtuosamente no Calvário, motivo de alegria para o Divino Amigo. Posso ser um ou posso ser o outro. Para ser como o discípulo amado, posso recorrer sempre à Maria, sua Mãe Imaculada, refúgio dos pecadores, auxílio dos cristãos, aquela que esmagou a cabeça da serpente, a mesma serpente que seduziu Judas e o aconselhou a ir pelo caminho da maldade. Diz o Salmo 30: “A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor!”.
Deus Pai disse à Santa Catarina de Sena: “Os sacramentos supõe que o homem os receba com disposições espirituais de desejo santo. Ora, este não provém do corpo, mas da alma. Em tal sentido afirmei que os sacramentos são espirituais e destinam-se à alma, que é incorpórea. Embora ministrados através do corpo, quem os recebe é o desejo da alma”.









