Em sua Encíclica “Humani Generis”, o Papa Pio XII diz: “As falsas afirmações de tal evolucionismo, no qual se repudia tudo o que é absoluto, firme e imutável, prepararam o caminho às aberrações de uma nova filosofia, que, fazendo concorrência ao idealismo, ao imanentismo e ao pragmatismo, tomou o nome de existencialismo, porque, rejeitando as essências imutáveis das coisas, só se preocupa com a existência de cada indivíduo.”

O ser humano é um ser racional, a razão é a capacidade de conhecer além dos sentidos, e este conhecer inclui reconhecer o que as coisas verdadeiramente são. Sobre a realidade da essência, o filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos diz: “De qualquer forma, conhecemos que há uma essência, e sobre isso não pode haver uma dúvida séria. (…) Apresenta ela (a essência) as seguintes propriedades: (I) é necessária, pois sem ela o ser não é o que é; (II) é indivisível, na verdade não é separável em suas partes, pois deixaria de ser o que é; (III) é imutável, porque se acrescentada alguma coisa deixaria de ser o que é para ser outra coisa; (IV) é eterna, pois a essência independe do tempo, e tomamos aqui o termo eterno em sua acepção negativa, que melhor seria dizer intemporal. (…)”.

É próprio da filosofia, enquanto atividade intelectual humana, ocupar-se da natureza das coisas; daí a famosa questão: “O que é?”. Isto está em suas origens, como projeto de conhecimento, por exemplo em Sócrates, um de seus pais. Etimologicamente, o nome filosofia significa “amor à sabedoria”. Neste sentido, a filosofia pode ser dita uma busca amorosa pela sabedoria do ser, na medida em que é alcançável pela razão humana; é um saber racional das coisas enquanto são — do ser enquanto ser e de cada coisa enquanto é o que é. Como filosofia do ser essencial, ela inclui noções como a necessidade, a imutabilidade, a universalidade e a eternidade (ou atemporalidade). Assim, por exemplo, é da essência da vontade: não há querer sem conhecimento. Enquanto tal, isto é necessário, imutável, universal e atemporal.

A intelectualidade humana, que é a razão da liberdade humana, mostra simultaneamente que a realidade é mais do que apenas o mundo material e que o homem tem dimensão espiritual, isto é, potência imaterial com atos imateriais. E nisso tem um “eu imortal” criado pela Onipotência divina. A este respeito, no livro de Gênesis é dito: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (1,26).

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