
A salvação em geral possui uma essência necessária universal e necessidades objetivas fundadas nela (suas condições de possibilidade, e assim por diante). Entre elas podem ser mencionadas as seguintes:
(I) A salvação supõe necessariamente uma situação negativa prévia, ou seja, um mal objetivo, uma privação do bem devido ou conveniente; assim, a salvação está sempre para o bem contra algum mal. Sem o bem e o mal não há sentido em falar de salvação. Neste sentido, no âmbito da verdadeira religião, o pecado é mal fonte de males, assim como os demônios são maliciosos e fonte de perversões.
(II) A salvação supõe um poder fazer e um poder ser feito e, como efeito real, passagem da possibilidade para a atualidade, exige causa eficiente; assim, no Salmo 97 é dito: “O Senhor fez conhecer seu poder salvador perante as nações”. O tema da salvação cristã implica o tema da causalidade, princípio fundamental do ser e da racionalidade.
A este respeito, por exemplo, no Concílio de Concílio de Trento, sobre a essência e as causas da justificação do pecador, é dito: “799. A esta disposição ou preparação se segue a própria justificação. Ela é não somente a remissão dos pecados [cân. 11], mas, ao mesmo tempo, a santificação e renovação do homem interior pela voluntária recepção da graça e dos dons. Por este meio, o homem de injusto se torna justo e de inimigo, amigo, de modo a ser herdeiro da vida eterna segundo a esperança (Tit 3,7). As causas desta justificação são as seguintes: a [causa] final: a glória de Deus e a de Cristo, bem como a vida eterna; a eficiente: o misericordioso Deus, que sem merecimento nosso lava e santifica (1Cor 6,11), assinalando e ungindo com o Espírito Santo da promessa, que é o penhor de nossa herança (Ef 1,13ss). A [causa] meritória, porém, é seu muito amado Filho Unigênito, Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo nós inimigos (Rom 5,10), pela nímia caridade com que nos amou (Ef 2,4), nos mereceu a justificação e satisfez por nós ao Eterno Pai, com sua santíssima Paixão no lenho da cruz [cân. 10]. A [causa] instrumental é o sacramento do Batismo, isto é, o ‘sacramento da fé’, sem o qual jamais alguém alcançou a justificação. Enfim, a causa única formal é ‘a justiça de Deus, não enquanto ele mesmo é justo, mas enquanto nos torna justos’ [cân. 10 e 11], quer dizer, enquanto, por ele enriquecidos, fica a nossa alma espiritualmente renovada, e não só passamos por justos, mas verdadeiramente nós nos denominamos e somos justos. Pois recebemos em nós a justiça, cada qual a sua, conforme a medida que o Espírito Santo distribui a cada um como ele quer (1Cor 12,11) e segundo a disposição e cooperação de cada qual.”



Deixe um comentário