Ad Iesum per MariamTerço tradicional no contorno do Brasil, com a Medalha de Nossa Senhora das Graças
CONSCIÊNCIA CATÓLICAInteligência, vontade e coração
Veritas liberabit vosSol de Santo Tomás de Aquino
CONSCIÊNCIA CATÓLICA

“Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus”

Cristo disse: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não foi em teu nome que profetizamos, em teu nome que expulsamos demônios e em teu nome que fizemos muitos milagres?’ Então eu lhes direi publicamente: ‘Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.’” (Mt 7,21–23).

Considerada em suas implicações, dessa passagem pode-se dizer:

(I) Todo querer é querer algo; quem quer, algo quer. A vontade de Deus significa algo querido por Deus, de modo que fazer a vontade de Deus é fazer alguma coisa. Assim, nisso há algo querido por Deus, que é algo que deve ser feito pelo homem.

(II) Como dever, isto supõe a liberdade humana, pois, no impossível e no necessário, não faz sentido falar em dever.

(III) Naturalmente, isto significa que a entrada no Reino dos Céus depende, em parte fundamental, das obras meritórias da liberdade humana. Isto corresponde à colaboração com a graça salvífica, sem a qual o homem nada pode, o que inclui não poder alcançar a salvação eterna. De certo modo, o que há são méritos nos méritos de Cristo e poder no Poder de Deus, o que passa pela decisão da vontade pessoal diante da graça.

(IV) A fé, que é necessária para a salvação, é ato humano, algo feito pelo homem; portanto, também é obra. Há a fé como obra fundamental e há as obras da fé, como as obras dos mandamentos e das virtudes, ditas e vividas exemplarmente pelo Deus-Homem, Jesus Cristo.

Santo Tomás de Aquino diz: “Ora, a fé cristã consiste principalmente na confissão da Santíssima Trindade, e especialmente em que se glorie da cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Pois a sabedoria da cruz, como Paulo diz, embora seja estultícia para os que se perdem, para os que se salvam, isto é, para nós, é força de Deus. Também a nossa esperança em duas coisas consiste: evidentemente naquilo que se espera depois da morte, e no auxílio de Deus, pelo qual somos ajudados nesta vida para alcançar, através das obras do livre-arbítrio, a futura bem-aventurança prometida.” (As Razões da Fé).

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