
Ordem inclui relação entre partes de um modo adequado a certa finalidade ou conforme certo princípio. Qualquer ordem social, que implica relação entre diversas pessoas e suas atividades, é naturalmente hierárquica, pela hierarquia dos fins em razão dos quais ela existe, que é simultaneamente hierarquia de bens. O sociólogo Pitirim Sorokin diz: “Em cada classe de fenômenos socioculturais, todos os seus valores são encarados não como iguais, mas como estratificados numa pirâmide hierárquica que começa pelos valores-meios negativos e mais ínfimos e termina pelo valor-finalidade máximo e supremo. Quase não há setor importante da cultura que considere os seus valores como iguais, quer todos eles como simples meios, quer como simples finalidades, ou que coloque todos no mesmo nível”.
Isto também vale para a ordem matrimonial-familiar, na qual pode haver o bem e o melhor, e o mal e o pior. O matrimônio é uma relação humana que começa, se mantém e se caracteriza concretamente por atos humanos decididos, segundo relações de motivação, na lógica da importância. Assim, para sua existência e para a presença efetiva de suas bondades, há uma relação de dependência com o ato humano. Por isso, pode-se dizer que, para existir e para que esteja na ordem do bem e do melhor, ele é exigente, o que inclui os deveres mútuos das partes, enquanto livres e responsáveis.
Os conselhos cristãos para a ordem matrimonial-familiar, por exemplo os presentes na Sagrada Escritura corretamente entendida, dirigem-se no sentido do que nela deve haver para o bem e o melhor, sob o aspecto natural e o sob o aspecto sobrenatural, pela presença especial da graça divina, em oposição ao mal e ao pior. A este respeito, por exemplo, São Paulo Apóstolo diz: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor (…). Maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5,22.25).
A mencionada submissão não significa inferioridade no ser, dignidade diminuída, escravidão degradante, servidão absoluta, ausência de personalidade, anulação da consciência moral e assim por diante, mas sim um modo de agir virtuoso ante alguém que também deve agir virtuosamente, em sua posição de direção e providência para o bem comum familiar, com espírito de sacrifício benevolente para quem, de certo modo, é “carne de sua carne”, “sangue de seu sangue”.




Deixe um comentário