No Evangelho de São João está escrito: “(…) Jesus respondeu: ‘Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos. Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com seu selo’. Então perguntaram: ‘Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?’ Jesus respondeu: ‘A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou’.” (Jo 6,22–29)

As palavras de Cristo supõem que há um modo de ser próprio do homem, que inclui a possibilidade de ele fazer ou não fazer algo por escolha própria, em face do dever. Há momentos em que Cristo fala para os homens em sua natureza objetiva comum e há momentos em que fala para a individualidade humana deste ou daquele homem. Quando fala da saciedade do pão e da busca pelo alimento que permanece até a vida eterna, fala a todos os homens em sua humanidade universal e do fim último objetivo, no qual está a verdadeira felicidade.

Enquanto tal, o homem é um ser naturalmente corpóreo e espiritual, com união essencial de corpo e alma racional; é um ser de relações de diversos tipos, a exemplo da relação físico-corporal com um alimento material e da relação espiritual-cognoscitiva com um mestre que ensina algo da realidade inteligível, além do temporal; é um agente que age segundo a sua natureza, em relações de motivação segundo a importância concebida, e com atos relativamente livres; é um ser perfectível, sujeito a aperfeiçoamentos, com potencialidades, carências e apetites.

Como é possível ao homem ver, nesta passagem há objetivamente: o tema do ser do homem e da vida feliz, o tema do ser de Cristo e de sua missão no mundo, o tema da eternidade e dos modos de vida, o tema do Ser de Deus e das relações trinitárias de sua vida interior, o tema das obras divinas, o tema do crer e das obras humanas, o tema da hierarquia de importância e da hierarquia de motivações.

Em Eclesiástico é dito: “De sua própria substância, deu-lhe uma companheira semelhante a ele, com inteligência, língua, olhos, ouvidos e juízo para pensar; cumulou-os de saber e inteligência. Criou neles a ciência do espírito, encheu-lhes o coração de sabedoria, e mostrou-lhes o bem e o mal” (17,5–6).

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