
Cristo disse: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33); “E, se tua mão te leva ao pecado, corta-a; melhor é entrares na vida mutilado do que, tendo as duas mãos, ires para a geena” (Mc 9,43).
O filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos enuncia a seguinte tese de sua filosofia concreta dos valores: “Preferir é dar primazia, é pôr antes, colocar algo ‘antes’ de outro. Antes de um fato atualizar-se, é ele uma possibilidade entre outras. Assim, o ser A pode atualizar os possíveis B, C, D, E etc. Uns são preferidos pela cooperação dos fatores que os determinam, enquanto outros são preteridos. Consequentemente, há a estrutura ontológica de preferir: o pôr antes algo a outro; é dar primazia. Deste modo, a primazia é dada pelo preferente, pois é ele que prefere e pretere”.
Deus é absolutamente livre quanto aos contingentes, que podem ser e não ser. Deus quer o fim e quer aquilo que é para o fim. Em suas preferências está sempre sua Bondade onipotente, que pode atualizar quaisquer possíveis. Em suas decisões, desde toda a eternidade, Deus considera não apenas o bem e o mal, mas também o melhor e o pior. Nas coisas finitas há multiplicidade de valores (ou bondades) e de relacionamentos entre elas, e tudo isso está diante da Sabedoria divina e de sua Vontade. Deus não confunde o absoluto com o relativo nem o relativo com o absoluto; e não inverte a hierarquia de superior e inferior. Embora se possa falar de princípios gerais para certa compreensão da ação divina no universo, com base na Revelação e na razão natural, há o mistério da liberdade divina e suas decisões em cada caso, especialmente em relação aos homens. A este respeito está escrito: “Porque os meus pensamentos não são os vossos, e os vossos caminhos não são os meus — oráculo do Senhor. Quanto os céus estão acima da terra, tanto os meus caminhos estão acima dos vossos, e meus pensamentos acima dos vossos” (Is 55,8–9).
Como está no Diálogo de Santa Catarina de Sena com Deus Pai: “As modalidades do meu agir são numerosíssimas e tua linguagem nem conseguiria enumerá-las (…). Realmente são infinitos os meios que uso para afastar o pecador da culpa mortal”.




Deixe um comentário