Como ensina o Papa Papa Pio XI, a fé em Cristo, na Igreja e na Primazia de Pedro estão num vínculo sagrado de mútua dependência. Não crer no primado de São Pedro, para o qual Cristo diz “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16,18) e “Eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32), não crer devidamente nesse primado, participado por seus sucessores, os Papas legítimos, afeta negativamente a fé na Igreja.

E não crer devidamente na Igreja — sobre a qual é dito: “Ele pôs tudo sob os seus pés e o constituiu cabeça suprema da Igreja, que é o seu corpo” (Ef 1,22-23) e “a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15) —, afeta negativamente a fé em Cristo, sobre o qual está escrito: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Responderam: “Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas” (Mt 16,13-14); tal fé que é necessária, como é dito: “Quem nele crê não é julgado; mas quem não crê já está julgado, porque não creu no nome do Filho unigênito de Deus” (Jo 3,18), “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que ele enviou” (Jo 6,29) e “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6,47).

E tal vínculo é assim porque Deus o quis, conforme sua perfeitíssima sabedoria. E nisso se situa a certeza da fé, como certeza da autoridade.

Os livros canônicos e sagrados, que contêm a Revelação divina oriunda de Deus, que, em sua infinita bondade, ordenou o homem a um fim sobrenatural, a vida eterna, foram confiados à sua Igreja Católica, Apostólica e Romana. Factualmente, sem aceitação da autoridade infalível da Igreja, em seu Magistério, tudo quanto aos ensinamentos, sentidos, usos e valor da Escritura fica em aberto e se torna questão de opinião ou fideísmo, com desprezo pela razão criada.

Fora dessa Igreja, o que há, de modo inevitável e sem verdadeira solução, é fragmentação, mescla da verdade com erros e confusão de doutrinas contraditórias supostamente baseadas na Sagrada Escritura.

O filósofo Josef Pieper, no espírito da verdadeira filosofia, diz: “O homem, portanto, se nutre antes de tudo com a verdade; não só o sábio, o filósofo, o cientista, mas sim qualquer pessoa que aspire a viver como homem precisa desse alimento. Também a sociedade vive da verdade publicamente presente”.

Deixe um comentário

Tendência