
Na Sagrada Escritura é dito: “Naqueles dias, o profeta Elias, tesbita de Tesbi de Galaad, disse a Acab: ‘Pela vida do Senhor, o Deus de Israel, a quem sirvo, não haverá nestes anos nem orvalho nem chuva, senão quando eu disser!’ E a palavra do Senhor foi dirigida a Elias nestes termos: ‘Parte daqui e toma a direção do oriente. Vai esconder-te junto à torrente de Carit, que está defronte ao Jordão. Lá beberás da torrente. E eu ordenei aos corvos que te deem alimento’. Elias partiu e fez como o Senhor lhe tinha ordenado, e foi morar junto à torrente de Carit, que está defronte ao Jordão. Os corvos traziam-lhe pão e carne, tanto de manhã como de tarde, e ele bebia da torrente” (1Rs 17,1-6).
Certamente, os caminhos da Providência divina são inúmeros, e Deus pode usar caminhos ordinários e caminhos extraordinários, conforme os múltiplos fins, significados, bondades e suas múltiplas relações possíveis. Às vezes, Deus priva alguns de alimentos e, muitas vezes, os providencia; e, quando providencia, em geral o faz de modo ordinário, por exemplo fazendo uma pessoa dar o alimento, e, às vezes, o faz de modo extraordinário, como no caso de Elias, que, enquanto profeta com missão relevante, tinha uma relação especial com Deus. Assim, nos caminhos de Deus, há os porquês de Deus, que são os porquês de sua Sabedoria infinita, que tudo compreende desde toda a eternidade.
Santo Tomás de Aquino diz: “(…) Donde o dever-se admitir que a multidão e a distinção das coisas vêm da intenção do agente primeiro, Deus. Pois trouxe as coisas ao ser para comunicar a sua bondade às criaturas, que a representam. E, como esta não pode ser representada suficientemente por uma só criatura, produziu muitas e diversas, e assim o que falta a uma, para representar a divina bondade, é suprido por outra. Pois a bondade, existente em Deus pura e simplesmente, existe nas criaturas múltipla e divididamente. (…) E, por ser a divina sabedoria a causa da distinção das coisas, diz Moisés que as coisas distintas são distintas pelo Verbo de Deus, que é a concepção da sabedoria (…)” (Suma Teológica).




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