O catolicismo, enquanto religião da Sabedoria divina, é a religião segundo a Natureza de Deus e segundo a natureza humana; é mistura do natural com o sobrenatural. A este respeito, por exemplo, vale o princípio de que “a graça não destrói a natureza, mas a aperfeiçoa”. Assim, nele há simbiose entre o corporal e o espiritual, entre a fé e a razão, entre a graça e o mérito, entre o entender, o querer e o sentir, entre a Causa primeira e as causas segundas, dentre outros.

Indicativo disso é o culto ao Sagrado Coração de Jesus. Sobre ele, o Papa Pio XII disse: “E, assim, do elemento corpóreo, que é o coração de Jesus Cristo, e do seu natural simbolismo, é legítimo e justo que, levados pelas asas da fé, nos elevemos não só à contemplação do seu amor sensível, porém a mais alto, até à consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso, e, finalmente, num voo sublime e doce ao mesmo tempo, até à meditação e adoração do amor divino do Verbo encarnado; já que à luz da fé, pela qual cremos que na pessoa de Cristo estão unidas a natureza humana e a natureza divina, podemos conceber os estreitíssimos vínculos que existem entre o amor sensível do coração físico de Jesus e o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino. Em realidade, não devem esses amores ser considerados simplesmente como coexistentes na adorável pessoa do Redentor divino, mas também como unidos entre si com vínculo natural, nisto que ao amor divino estão subordinados o humano, o espiritual e o sensível, os quais são uma representação analógica daquele”.

E, como diz São Paulo Apóstolo: “Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2,3).

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