
Em Atos é dito: “Naqueles dias, Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Mas alguns membros da chamada Sinagoga dos Libertos, junto com cirenenses e alexandrinos, e alguns da Cilícia e da Ásia, começaram a discutir com Estêvão. Porém, não conseguiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava”. (At 6,8-10)
Pelos inúmeros e relevantes casos narrados na Escritura, deve-se considerar que o tema do ser, do poder e da participação é central no cristianismo, nos fatos da revelação. E nisso, também o tema do concurso divino, que significa a “intervenção de Deus, como Causa Primeira, na ação e efeito das causas segundas”. Tudo isso está presente no caso de Santo Estevão.
Se admitimos que todo possível, enquanto aquilo que pode se realizar, é possível por outro (existente), então exige causa distinta de si, dado que não pode causar a si mesmo, porque do contrário teria de existir antes de existir, ou ser real antes de ser real. E se admitimos que na causa produtiva há poder, então todo possível exige, como tal, um poder que o atualize. E se admitimos que o critério elementar de impossibilidade é a contradição intrínseca, então deve-se admitir que tudo o que não é contraditório em si mesmo é possível absolutamente, de modo que para todos os possíveis há um poder existente, que antes de tudo pode ser dito Onipotência divina. Em outras palavras: tudo é possível pelo poder de Deus.
Disso se vê que o tema do possível, do poder, da causa e do ser são inseparáveis, o que vale para os casos da Sagrada Escritura – que, pelo menos em parte, como revelação divina, significa certa ampliação da consciência intelectual a este respeito. No tema dos milagres, por exemplo, há a questão dos possíveis no real físico, das possibilidades na realidade física; e nisso a ciência é uma das vozes que podem falar, não a única nem necessariamente a mais importante. No Salmo 18 é dito: “Mas o seu som ressoa por toda a terra, e a sua voz se espalha até os confins do mundo” (5).



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