“Bem-aventurados os que seguem os meus caminhos”

O autor do livro de Provérbios insiste várias vezes — como algo que repete frequentemente — que o homem deve sempre escutar atento as palavras de sabedoria, as palavras de inteligência que lhe são ditas, providenciadas por Deus para seu próprio bem. Pertence à sabedoria dos Provérbios divinamente inspirados que aquele que segue o caminho do mal experimentará males e aquele que segue o caminho do bem experimentará bens. Assim, é necessário saber que há bons e maus caminhos, especialmente sob o aspecto moral, e saber quais caminhos trilhar, se há interesse de se afastar do mal e se aproximar do bem, principalmente do pior dos males e do melhor dos bens.
Porque o homem é animal racional, dotado de inteligência, de vontade livre e de capacidade produtiva de efeitos, como causa livre, para ele a vida terrena é uma vida de caminhos, isto é, de escolhas entre as direções possíveis conforme a circunstância. E no caso não são caminhos equivalentes, seja sob o aspecto ético, porque há oposição de bondade e maldade moral, seja sob o aspecto dos efeitos, porque há contrariedade nos efeitos, naturalmente. Além disso, os caminhos não são equivalentes porque há oposição de bens e males e em cada um, respectivamente, há o melhor e o pior.
Isto pertence à sabedoria do ser e tem como fundamento a natureza das coisas, antes de tudo, a natureza divina. E em tudo isso está o tema da felicidade humana, a qual naturalmente se dá pela posse do bem e pelo afastamento do mal. Neste sentido, em Provérbios é dito pela Sabedoria: “Agora, pois, meus filhos, ouvi-me. Bem-aventurados os que seguem os meus caminhos. Ouvi as minhas instruções, e sede sábios, não queirais rejeitá-las” (8,32–33). E o salmista diz: “Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado!” (Salmo 15).




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