
Uma síntese de verdades sobre a felicidade humana, dentro da sabedoria católica (expressa, por exemplo, por Santo Tomás), correspondentes à Sagrada Escritura:
(I) Porque é um apetite natural, todo ser humano anseia pela felicidade, que é certo bem objetivo do homem e meta dos atos humanos.
(II) A felicidade, em conformidade com a etimologia da palavra, significa, da parte do sujeito, a posse do bem, que aquieta o apetite, e, da parte do objeto, significa o bem que pode aquietar plenamente o apetite. E porque é animal racional, dotado de potência intelectual, a felicidade que lhe é própria deve ser um bem segundo a razão, conforme sua natureza.
(III) Todas as pessoas naturalmente buscam a felicidade, mas muitas não a encontram, porque a buscam onde ela não existe, onde não pode ser encontrada; portanto, é uma busca irracional, insensata. Há homens que, em estado de confusão, buscam apenas bens que meramente proporcionam prazer, como fazem os animais, e há homens que buscam os bens que proporcionam felicidade espiritual, como os bens do mundo da verdade, da virtude, da beleza e da comunhão pessoal.
(IV) Como bem perfeito, totalmente isento de mal e que aquieta totalmente o apetite, a felicidade última do homem, depois da qual nada há, não está nesta vida, pois nela é ordinariamente impossível estar isento de todo mal, como os males do corpo e os males do espírito; porém, ela está após esta vida, como confirma a divina revelação, pois não há na natureza desejos naturais próprios do ser que sejam vãos, inúteis.
(V) Da parte de Deus, fonte de todos os bens, é pelos atos de virtude que os homens alcançam a felicidade, posta como prêmio da virtude. Segundo a Revelação cristã, a virtude fundamental nisso é a obediência da fé, que também é humildade, enquanto caminhar na verdade e aceitação da graça divina. Em sentido contrário, aquele que age contra a virtude, odiando o bem divino, em vez do prêmio merece a pena, ou seja, a privação do Sumo Bem, a miséria eterna.
(VI) A felicidade plena do homem está na contemplação da verdade, da sabedoria divina, das coisas divinas. A visão de Deus, o conhecimento espiritual interior de Deus, inunda a alma de felicidade. Tal conhecimento, como visão beatífica, participação na vida divina, equivale à posse do Sumo Bem.
(VII) Dito de outro modo: a felicidade do homem está em certa relação com Deus, que pode ser chamada de comunhão amorosa, para a qual ele foi criado. Por isso é tão importante a verdadeira religião; e por isso Cristo, que é o Deus-homem, a Santa Igreja, que é o Corpo Místico de Cristo, na qual estão os meios da salvação, e a Sagrada Eucaristia, que é alimento vigorante para a alma e comunhão espiritual com Deus.
Cristo disse: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente; e o pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo. (…) Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,51–54).





Deixe um comentário