A realidade espiritual não é uma questão apenas de fé religiosa, mas também de razão natural, especialmente das ciências filosóficas e de suas razões demonstrativas. Como exemplo, o eu autoconsciente, certos estados da mente, como a certeza e a dúvida, e certos tipos de conhecimento, como o conhecimento de essências imutáveis e de relações necessárias, correspondem ao espírito humano e não são explicáveis pela matéria, embora possam ter relações com ela.

O homem é dito espiritual, dentre outras coisas, por sua inteligência e vontade livre, que são espirituais. Por exemplo, por ter a potência para o entendimento do que é essencialmente necessário em algo, o homem, ao refletir filosoficamente sobre a dúvida, pode reconhecer que logicamente é impossível duvidar de tudo, que é impossível uma dúvida universal, porque toda dúvida traz consigo várias certezas sem as quais ela seria impossível, como a certeza do meu eu duvidante, a certeza da dúvida, a certeza da coisa duvidada, a certeza da certeza, e assim por diante. Assim, que toda dúvida supõe a certeza é uma verdade universal e atemporal sobre a dúvida, que a mente humana é capaz de apreender e conservar duradouramente, como saber transtemporal.

Neste sentido, nas reflexões sobre si mesmo, na consideração das próprias experiências interiores, sobre suas capacidades, atos e conteúdos, o homem tem um caminho para reconhecer sua dimensão espiritual e a realidade espiritual. E os erros religiosos de falsas religiões ou de falsos movimentos de “espiritualidade” associados a ela não são razões para negar a realidade espiritual, da qual participa o homem feito à “imagem e semelhança de Deus”.

Na Sagrada Escritura é dito: “Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava (…) judeus e prosélitos, cretenses e árabes, todos nós os escutamos anunciarem as maravilhas de Deus em nossa própria língua!” (At 2,1-11).

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