
São Pedro, em sua primeira Carta, diz: “Vós sois aqueles que ‘antes não eram povo, agora, porém, são povo de Deus; os que não eram objeto de misericórdia, agora, porém, alcançaram misericórdia’. Amados, eu vos exorto, como a estrangeiros e emigrantes: afastai-vos das paixões humanas, que fazem guerra contra vós mesmos” (1Pd 2,10-11).
Pelas palavras do apóstolo, o homem está sujeito a paixões que, em sentido negativo, são males de desordem interna, fonte de outros males, especialmente males da ação humana. Assim, possuem significado moral, enquanto implicam maldade, quando seguidas, ou bondade, quando rejeitadas. As paixões em questão podem ser consideradas sob diferentes aspectos, como sua natureza, suas causas, seus efeitos, suas condições de possibilidade, seus significados éticos etc. Por exemplo, o homem é um ser de paixões porque é um ser de apetites (sensível e racional) e sentimentos.
A este respeito, o filósofo Dietrich von Hildebrand diz: “Não há dúvida sobre o fato de que a afetividade é uma grande realidade na vida do homem. (…) Já mencionamos que o âmbito afetivo abarca uma variedade de experiências que diferem muito na sua estrutura, qualidade e status, indo dos estados não espirituais a respostas afetivas de elevado grau espiritual”.
E, sobre as paixões, ele diz: “Mas, ao falar sobre a paixão, referimo-nos também a uma escravidão habitual com relação a certos anseios violentos – por exemplo, quando um homem se vê devorado pela ambição, pelo ressentimento ou pela cobiça. Em tais casos, não nos referimos a um estado passional momentâneo, mas a uma dominação habitual da parte de certas tendências. (…) E, no entanto, a razão e a vontade, nesse caso, também são escravas da paixão habitual” (em O Coração).



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