
Deus disse a Moisés: “Assim deverás falar à casa de Jacó e anunciar aos filhos de Israel…” (Ex 19,3-6). Há o que deve ser dito e, por relação, há o que deve ser considerado. Isto significa que há o verdadeiro e há uma escala de importância nas verdades ensinadas e aprendidas. Toda verdade tem valor enquanto verdade, mas nem todas as verdades têm a mesma importância. Em tudo isso há seletividade, hierarquia, prioridade e preferência. Isso é próprio de toda instrução, o que inclui a instrução religiosa, tanto que o próprio Deus o faz. O senso de importância e o senso do dever são fundamentais na vida religiosa da verdadeira religião.
A escala de valores e bens (os quais correspondem ao ser objetivo das coisas), as prioridades e os deveres fundamentais da religião de Cristo, do santo Evangelho, são imutáveis. Assim como o verdadeiro Cristo “é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13,8), sua religião revelada e dada aos homens para o bem de todos, sobretudo o bem da vida eterna, também é a mesma ontem, hoje e sempre. Como diz o filósofo Dietrich von Hildebrand: “Em comparação àquilo que permanece inalterado, o que muda é secundário”.
Se há coisas mutáveis, porém nem tudo na realidade pode ser perpetuamente mutável. A negação da imutabilidade é uma negação contraditória, por suas consequências lógicas, de modo que a presença do imutável deve ser admitida. As coisas mutáveis e acima de tudo as imutáveis também pertencem à verdadeira religião, como o mundo da verdade e dos valores genuínos.




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